19/06/2012

DEMOLIÇÕES DO LUBANGO EM IMAGENS: "STOP JOSÉ STOP!"

Caros amigos, aproveitamos para informar que a atividade divulgada em postagem anterior, JEJUM E ORAÇÃO PELAS VÍTIMAS DE DEMOLIÇÕES NO LUBANGO (http://quintasdedebate.blogspot.com/2012/06/jejum-e-oracao-pelas-vitimas-de.html) foi adiada para os dias 28, 29 e 30 de Junho, por questões organizativas, mantendo-se a mesma agenda.
Acompanhem agora as fotos que demonstram a barbaridade das demolições do Lubango. As mesmas foram retiradas da página do facebook da ADRA (Adra-angola Adrahttps://www.facebook.com/adraangola.adra


18/06/2012

JEJUM E ORAÇÃO PELAS VÍTIMAS DE DEMOLIÇÕES NO LUBANGO

PROPOSTA DE PROGRAMA DAS ACTIVIDADES CONTRA AS DEMOLIÇÕES

a.     Objectivos:
                                                             i.      Honrar a memória das vítimas humilhadas, vivas e falecidas;
                                                           ii.      Exigir a reposição da legalidade na área da indemnização
b.     Organizadores: SOS Habitat, ACC, Omunga, Mãos Livres, AJPD,
c.      Distribuição de desdobráveis: 21 e 22 de Junho
d.     Programa de intervenção:
                                                             i.      Oração de abertura (Pastor)
                                                           ii.      Canção
                                                        iii.      Explicação dos objectivos do encontro de oração com tradução
                                                        iv.      Resenha histórica do processo
                                                           v.      Leitura bíblica
                                                        vi.      (Pastor Francisco Jonas) – Sermão resumido
                                                      vii.      Testemunhas das três áreas (seis testemunhos)
                                                   viii.      Oração (Pastor)
                                                        ix.      Intervenção de visitantes
1.     AJPD
2.     SOS Habitat
3.     Zé Tó em nome da OMUNGA
4.     Jacinto Francisco Gaspar
5.     Luísa Rogério
6.     David Mendes
7.     Marcolino Moco
                                                           x.      Oração de encerramento: Padre ou Pastor
e.      Local de concentração: Praça 1º de Maio – Defronte ao Núcleo da Assembleia Nacional
f.       Hora: 10H00
Comandante municipal da polícia nacional do Lubango dirige a operação de demolições naquela cidade

AINDA INFORMAÇÕES SOBRE AS DEMOLIÇÕES DO LUBANGO
No dia 14 de Junho de 2012 14:44, Jacinto Pio Wacussanga <usindiswe@gmail.com> escreveu:
João Benedito Kassula, morador da Zona do Arco Iris, Bairro Dr.António
Agostinho Neto, esteve ausente na cidade de Luanda, por ocasião das
demolições qiue iniciaram dia 9 de Junho de 2012.
Depois de informado das demolições, e quando soube que sua residência
foi destruida, viajou de Luanda para o Lubango ontem, dia 13 de Junho
de 2012 e . ao chegar ao terreno, contactou a polícia no local das
demolições reivindicando por que razão sua casa teria sido demolida,
pior ainda na sua ausência. Os haveres estavam dentro da casa, quando
esta foi demolida, tendo sido igualmente danificados.
De acordo com as informações,  foi o comandante municipal da Policia,
de nome Nando, qiue o mandou prender, com argumentos de que ele nao
deveria ter reivindicado. Está desde ontem, dia 13 de Junho, preso.
Somente hoje, a ACC se apercebeu de sua prisâo. Temos ainda
informações de que dormiu no cimento, nâo teve direito a cobertor, em
tempo de frio e nem sequer recebeu comida desde ontem.
Neste momento, a ACC estava a levar comida e cobertores à cadeia para
o ajudar, quando fomos informados de que está sendo levado para o
Tribunal para julgamento sumário.Inacreditável este julgamento, quando
se trata de um pobre. pelo contrário, o processo que reivindicava o
cancelamento das demolições foi devolvido como estando incompleto. E
de facto, nós submetemos ao tribunal, mais ou menos 20 dias atrás, uma
petição para anular o acto administrativo de demolir, pois tal estava
em contravenção às leis internacionais e internas.

Joao Benedito Kassula, one of the residents at Arco Iris Zone,
Agostinho Neto Township, has been  absent in Luanda when the
demolitions have started on the 9th of June 2012. His possssions where
inside of the house when it came down. All of them have been damaged.
After been informed about the ongoing demolitions, and when he
realised that his house has been torn down, he fled from Luanda to
Lubango on the 13trh pf June.
Shortly after his arrival, he contacted the police men on the scene,
demanding why is that his house was demolished. After an argument, he
was detainned and taken to a local prison at the orders of Nando, the
Police Officer in Charge. It´s only today when we have been informed
of such detention. According to prison sources, he slept on the floor,
wihout a blanket given that it´s winter time, having  been denied the
right to food.
Right now, when whe, as ACC members, where carrying some food and
blankets to the prison, whe were informed that he will be tried right
now, a kind of quick trial, with no right to a lawyer to defend him.
This in unbelievble, given that, some 20 days ago, we submmited a
petition to the local court, requesting the revogation of the
demolitions, because they were in contravention to international
conventions and domestic laws.

Padre Jacinto Pio Wacussanga, presidente da ACC
Fr.Jacinto Pio Wacussanga, ACC chairman.

2012/6/14 Jacinto Pio Wacussanga <usindiswe@gmail.com>
O julgamento do homem injustamente preso por reivindicar diante da
polícia a sua casa destruida com os seus pertences dentro, vai ser
julgado amanhã as 10H00.
Para quaisquer efeitos de contactos, podem ligar para 00244924754271.
The trial of the man who claimed againt the destruction of his house,
has been postponed for tomorrow.
Any queries, please do not hesitate to contact us by the following
sell phone nbr.: 00244924754271.
P.Jacinto Pio Wacussanga
Fr.Jacinto Pio Wacussanga


Agentes da polícia orientam a máquina nas demolições do Lubango
Jovem moradora do Arco-Íris desmaia perante a barbaridade das demolições

ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL REUNIRAM-SE EM LUANDA PARA ANALISAR PROCESSO ELEITORAL

GRUPO DE TRABALHO DA SOCIDADE CIVIL SOBRE O PROCESSO ELEITORAL ANGOLANO
Declaração
As organizações da sociedade civil signatárias deste documento reunidas nos dias 13, 14 e 15 de Junho de 2012, em Luanda, no exercício do direito de participação e com o objectivo de contribuir para a realização de eleições livres, justas, transparentes e democráticas nos termos da Constituição da República de Angola, dos instrumentos regionais e Africanos sobre as eleições constataram e recomendam o seguinte:  
1.Ambiente político
Registamos com preocupação constantes violações ao direito de manifestação, associação e liberdade de expressão, que resultaram em casos graves de prisões arbitrárias e condenações de manifestantes; sequestros, espancamento e tortura, actos que perigam a consolidação do Estado Democrático de Direito, com a agravante de não existir qualquer pronunciamento das autoridades competentes.
Demolições e desalojamentos forçados, sem justa indemnização, em violação ao estabelecido na Constituição e na Resolução nº 37/09 de 3 de Setembro, da Assembleia Nacional sobre os processos de demolições e desalojamentos. 
                2. Fase Pré - eleitoral
a)      Registo Eleitoral – Apreciamos o facto de que o registo eleitoral foi conduzido em toda a extenção do território nacional. Entretanto, recomendamos que se acelere a publicação dos dados do registo, fixação das listas dos eleitores bem como a auditoria do FICRE, num prazo razoável que dissipe suspeitas de dilatações ilegais. Apesar da Constituição da República de Angola prever a participação de todos cidadãos angolanos, não foram criadas condições para o registo eleitoral dos cidadãos nacionais residentes no exterior, privando-os assim do exercício do direito ao voto.  
b)      Pacote Legislativo – Apreciamos o facto de que a legislação eleitoral tenha sido aprovada de forma consensual pelo Parlamento. Porém, a discussão sobre o pacote eleitoral excluiu a participação da sociedade e, consequentemente, a Lei Eleitoral não prevê a participação da Sociedade Civil nas reuniões plenárias da CNE.
A Lei Ôrgânica sobre a organização e funcionamento da CNE, foi concebida apenas para o actual processo eleitoral, considerando a actual estrutura da Assembleia Nacional.

c)       Educação Cívica – Foi feita de forma isolada por iniciativa própria das Organizações Não-Governamentais (ONG’s) e Igrejas sem qualquer envolvimento da CNE, órgão mandatado pela lei para a condução de educação cívica em todo o território nacional.
3. Fase eleitoral
a)      Administração e logistica eleitoral – Louvamos a decisão do Tribunal Supremo em declarar ilegal a nomeação da Dra. Suzana Inglês para presidente da CNE, embora tardiamente, e não ter referenciado os efeitos produzidos por suas acções durante a sua permanência no cargo.

Notamos com preocupação a não observância pela CNE do disposto no artigo 23.º da Lei 12/12, de 13 de Abril (Lei Orgânica sobre a Organização e o Funcionamento da CNE), relativo a criação da Direcção de Organização Eleitoral e Logística, uma estrutura executiva de apoio técnico cuja principal função é de elaborar os cadernos eleitorais, credenciar os delegados de lista, gerir os armazéns, planificar a aquisição dos kits eleitorais, assegurar a execução da logística eleitoral definida pelo Plenário e estabelecer a ligação com as Comissões Provinciais Eleitorais para a sua distribuição. Pois, em 2008 a inoperância deste órgão permitiu a ingerência da Casa Militar da Presidência da República na gestão logística no dia do voto, insuficiência de material e desorganização, forçando a realização da votação em dois dias (em contradição à lei eleitoral), o que criou desconforto e desconfiança entre os partidos politicos e outros actores sociais.
A CNE aprovou o seu orçamento eleitoral há mais de um ano, tendo-o remetido ao Executivo ainda em Fevereiro de 2011. Entretanto, até ao momento não foram cabimentadas as verbas para executar as suas actividades. Essas limitações atentam contra o princípio da autonomia financeira da CNE, estabelecido por lei.

b)      Inscrição dos partidos politicos – Apreciamos o processo de apresentação de candidaturas dos partidos políticos junto do Tribunal Constitucional, no entanto e em defesa do princípio republicano, preocupa-nos o facto de ser cabeça de lista de um partido, o cidadão José Eduardo dos Santos, actual presidente da República, no exercício do cargo há 32 anos.

c)       Campanha eleitoral antecipada – A Lei Orgânica das Eleições Gerais estabelece no artº 62º, que a campanha eleitoral começa 30 dias antes do dia das eleições. No entanto, notamos com extrema preocupação que alguns partidos, fazendo uso de meios públicos, já se encontram em plena campanha e propaganda eleitoral, caracterizada por mensagens agressivas e intimidatórias. Essas mensagens contradizem o slogan adoptado pela CNE “vota pela Paz, vota pela democracia”.  

d)      Cobertura da imprensa – Contrariando o estabelecido no artigo 40º da CRA, relativamente ao direito à informação, notamos com preocupação a partidarização dos meios de comunicação públicos, nomeadamente a TPA, a RNA (e suas representações provinciais e municipais), o Jornal de Angola e a agência de noticias Angop optando pela desinformação e manipulação da informação, ferindo o princípio da imparcialidade e do contraditório. 

e)      Educação cívica eleitoral – Apreciamos com agrado o lançamento da campanha, entretanto consideramos insuficientes os valores previstos e atrasos na sua disponibilização.


f)       Observação eleitoral – Esperamos que a CNE seja receptiva em relação ao processo de credenciamento dos observadores nacionais, em todas as fases do processo eleitoral.

As organizações:
Associação Construindo Comunidade (ACC )
Associação Juvenil para o Desenvolvimento Comunitário de Angola (AJUDECA)
Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD)
Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola (AEUPA)
Associação para a Defesa da Saúde Angolana (ADSA)
Colectivo Multisetorial para o Desenvolvimento Integral (CMDI)
Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário (FORDU)
Centro Nacional de Aconselhamento (NCC)
Associação OMUNGA
SOS Habitat – Acção Solidária
Visão Angolana para a Protecção e Assistência Popular (VAPA)

17/06/2012

ÂNGELO KAPWATCHA REAGE A CELSO MALAVOLONEKE

COMENTÁRIO À ENTREVISTA DA DOUTORA MIHAELA WEBBER CONCEDIDA À RÁDIO MAIS E A REPLICA DO DOUTOR CELSO MALAVOLONEKE NO SEU FACEBOOK  
Acho que a Drª Mihaela Webber, ao referir que “ AS MAIORIAS QUALIFICADAS SÓ ACONTECEM NOS PAÍSES NÃO DEMOCRÁTICOS” resultou de várias interpretações realísticas das características dos regimes verdadeiramente democráticos e os regimes não-democráticos que a ciência política define e isto não é uma ingenuidade ou dogmatismo pior um pouco querer induzir em erros como o Dr. Celso Malavoloneke peremptoriamente concluiu. Essa interpretação, suponho eu, resultou da análise daquelas características concretas de eleições verdadeiramente democráticas realizadas com propósito de fazer a diferença e não apenas para alcançar a legitimidade nacional e internacional de quem governa e que tenha uma total aversão à saída do poder. Para sustentar a nossa tese vamos apenas dedicar alguns minutos a analisar os factores abaixo que a Ciência Política e as Ciências Políticas nos oferecem e vamos aplicá-los em Angola. A conclusão será exactamente a posição da Drª Webber (as maiorias qualificadas são indicadores de fraca ou inexistência de democracia de facto) mas sim a tutelar ou mesmo regime não-democrático:
1)      Equidade concorrencial, nos termos em que os partidos e coligações de partidos bem como os candidatos sejam organizações estáveis, duradoiras e disseminadas em todas as esferas geográficas determinadas e acessíveis.

2)      A quantidade de dinheiro e o tempo preparatório das campanhas eleitorais para os partidos e os candidatos sejam equilibrados e imparciais (onde não houver candidatos únicos e naturais, nem sistemas de cabeças de listas plurinominais “atípicos” que a Ciência Política não previa até 2010 que Angola o inventou, aliás a Ciência Política previa o acesso ao cargo de Presidente ou Rei por meio de vitoria em guerra como em Angola de 1975 ou eleições democráticas como na África do Sul de Nelson Mandela ou Brasil de Lula da Silva ou EUA de Barack Obama, eleições fraudulentas como em Angola em 1992, sucessão dinástica como na Suazilândia de 1986, golpe de estado como na Guiné de Nino Vieira, revolução como em Cuba de Fidel em 1959…).

3)      A quantidade e as modalidades de acesso à televisão e à rádio para fazer propaganda de captação de voto significando que se evite de todas as formas a parcialidade e o famosíssimo “ padrão de inversão” (em Angola é quase uma carreira sagrada dos jornalistas da midia pública a inversão da informação). A ciência política nos ensina que os regimes não-democráticos ganham votos mantendo apenas uma única linha de informação, então o pluralismo informacional pode estimular o surgimento de verdades alternativas que gerarão conflito com a verdade do regime oficial (em Angola a mídia privada está concentrada em Luanda).

4)      Eleições livres que sejam isentas de quaisquer constrangimentos externos antes, durante e depois do acto eleitoral (recalcamentos, pressões, coação e coerção, favoritismo, raptos de opositores e contestatários, intimidações, censuras, vandalização de domicílios e bens dos adversários políticos, controlo da cultura intelectual como é o caso de Angola actual).

5)      Eleições realizadas em tempo previamente estabelecido de forma a evitar correrias que só favorecem quem está permanentemente preparado, por estar a gerir a coisa pública e dela tira proveito, e que pelo contrário, os outros concorrentes só conseguem por meio de requerimentos burocráticos (Angola).

6)      Organizar eleições para provocar mudanças reais nas vidas dos cidadãos e não apenas para proteger cargos públicos ocupados por seus titulares ad eternum (apanágio de partidos de Patrocinado e Facções da Europa oitocentista; e em Angola há fortes indícios disso).

7)      O voto democrático tem que ser universal, livre, directo, transparente e secreto, (extensivo a todos os nacionais idóneos vivendo dentro e fora do País, extensivo a todos os recantos do país onde o registo atinge sem argumentos escapatórios de tipo logístico, isto é isento de constrangimentos externos e sem entremeios, acesso igual aos locais de contagens dos votos, cadernos eleitorais auditados e que sejam credíveis, sem induzir pessoas a votar em troca de empregos e outros).

8)      Ausência de interacção horizontal antes, durante e depois das eleições entre eleitores, militantes, governo e outros partidos numa sinergia governativa (em Angola quem ganha, ganha tudo e se apossa e não governa; apenas dá ordens que devem ser acatadas, não presta contas aos seus actos e nem sequer revisita o programa eleitoral que captou simpatias do eleitor “homenagem que o vício presta à virtude”).

9)      A presença de partido hegemónico que anima tudo com possibilidade de alternância totalmente impraticável (faz surgir oposição e extingui-la depois; ganha de forma perene eleições de que ele próprio é o definidor de seus parâmetros; tolera a existência de partidos para fins estatísticos e não ou nunca alternância).

10)  A administração eleitoral deve ser encarada como arbitragem independente, totalmente independente (o Executivo não deve criar estruturas sombras que executa de facto numa pura homenagem à inconstitucionalidade orgânica)

11)  As eleições democráticas, nas repúblicas, sejam as únicas fontes de legitimação  dos dirigentes  (e não a cooptação por meio de fidelidade e lealdade ao líder e as suas opções numa pura linha de comando, isto é, o poder fluindo de cima para baixo; ou  por vezes atribuir-se o poder puramente na base de antiguidade, da deferência ao líder, e na aceitação acrítica do regime escolhido pelo líder sem consenso das bases nem competência mínima demonstrada na governação anterior.  Em Angola é a crise actual das 2ª Cabeças de Listas sobretudo no Partido Maioritário  entre vice-Presidente da República actual, Vice-Presidente do Partido actual e Vice-Presidente que estará na lista à Assembleia Nacional nas eleições de 2012).

12)  As eleições não devem ser realizadas com prévia relutância à alternância (natureza ideológica) e a incapacidade (natureza organizativa decorrente da extinção de fronteira entre o que é público e o que é privado - em Angola é o que se passa com a crise actual da logística da CNE) e o poder personalista do líder que se exige que arraste multidões (clarividente, arquitecto, omnipotente, omnipresente, omnisciente com imensas dificuldades quer em sucedê-lo quer em alternância).

Todas estas características positivas, “constroem, mantém, sustentam e fazem funcionar os regimes democráticos”. E os elementos negativos são estradas abertas para produzir as “Maiorias Qualificadas” que põem em perigo o conceito de Regime Verdadeiramente Democrático. Angola prepara-se para realizar a 3ª eleição legislativa. Decorreu com insuficiência e pressão o registo eleitoral. Com turbulência foi aceite a senhora Suzana Inglês como Presidente da CNE e a sua demissão também sob pressão não trouxe nada relevante uma vez que os resultados do seu trabalho ficaram e não são poucos e poderão condicionar todo o processo.
A democracia é um sistema consensual. A sua legitimidade advém da aceitação da justeza e da transparência dos seus procedimentos para cargos governativos. A sustentabilidade da democracia depende da manutenção da confiança pública, bem como da confiança dos grupos políticos em função dos seus procedimentos e suas condutas.
O voto nas mãos do cidadão verdadeiramente activo nesse exercício, é um instrumento e troca para uma boa governação como contrapartida, ou seja, os candidatos e partidos apresentam seus programas e que captam simpatias e respondem às prioridades dos eleitores. Uma vez chegado ao poder o candidato vencedor e o partido igualmente vencedor, formam governo e governam na base das promessas eleitorais feitas, e que cada cidadão eleitor deve sentir na sua vida pessoal e familiar os resultados positivos do seu voto e que se lhe abra oportunidade para questionar o rumo das coisas quando os eleitos se desviam da sua missão. E que nos intervalos de cada eleição, o eleitor se lhe ofereça espaço para ele quer através do Parlamento, quer através da Sociedade Civil ou ainda através das livres manifestações consagradas nas legislação consiga exprimir seus desejos de ser bem governado. Quando ao cidadão não se reserva qualquer tipo de capacidade de questionar o rumo do seu País, não há uma cidadania activa; quando não há cidadania efectiva, não há democracia; embora houvesse eleições de tempo em tempo, tal não significa democracia porque, as eleições podem ser realizadas sem preencher aqueles requisitos mínimos ou seja ELEIÇÕES NÃO - DEMOCRÁTICAS resumidos acima que podemos concluir (repetindo o já exposto acima):
·         Não livres isto é, caracterizadas pelo constrangimento
·         Não competitivas, isto é caracterizadas pela desigualdade de tratamento entre os candidatos, quer financeira quer ainda do ponto de vista de acesso a comunicação social,
·         Não inclusivas caracterizadas por excluir certos grupos sobretudo os residentes no estrangeiro;
·         Caracterizadas pelo favoritismo despropositado nas campanhas eleitorais;
·         Ainda não serão consideradas eleições democráticas aquelas eleições organizadas com objectivos de controlo da oposição para ser esmagada depois de bem conhecida;
·         Não são eleições democráticas, aquelas organizadas com objectivo de conseguir a legitimidade nacional e internacional;
·         Não são eleições democráticas, aquelas cujos resultados são manipulados. Porque se um grupo, candidato ou partido sentir que as suas desvantagens foram causadas por alguma manipulação feita por outrem retirará sua confiança no sistema constitucional e provavelmente recorrerá à violência para repor seu direito violado por meios fraudulentos;
·         Não são eleições democráticas, aquelas em que a participação do cidadão seja o único e último momento em que ele deve intervir na vida política do país;
·         Não são eleições democráticas onde o poder judicial seja parcial como foi o caso Suzana Inglês que agora o tribunal está cego aos efeitos jurídicos que a sua permanência no cargo produziu.
·         Tem que haver uma sociedade política (partidos), verdadeiramente organizadas, responsáveis e estáveis cujas políticas internas e ideologias sejam duradoiros e coerente sem manipulação de conflitos internos dos partidos como acontece com a FNLA.
·         Tem que existir uma sociedade civil activa, actuante e insubornável dotada de espírito de missão e coerência com os valores personalistas que participe de forma articulada das diversas vias de realização dos interesses dos cidadãos e iluminar os caminhos que desperte a consciência dos cidadãos


Huambo, 16 de Junho de 2012.
POR:  ANGELO KAPWATCHA

DOMINGOS DA CRUZ ESTEVE NO QUINTAS DE DEBATE E DISCUTIU SOBRE "O PAPEL DA MÍDIA PÚBLICA NA CORRIDA ELEITORAL

QUINTAS DE DEBATES
TEMA: A CORRIDA ELEITORAL E DESEMPENHO DA MEDIA PÚBLICA
Eleições constituem um factor e característica muito importante da democracia. É um processo que envolve actores políticos, cívicos e o povo, que na opinião de muitos autores, constituem o elemento mais importante neste. A qualidade de informação que o cidadão tem define a qualidade de participação do mesmo nesse processo.
A comunicação social, principalmente a pública, tem a missão de proporcionar equilíbrio, oportunidade e igual tratamento aos partidos concorrentes para que os cidadãos conheçam os programas ou propostas de governação daqueles e consequentemente poder votar para o que mais convier.
Dada a importância do desempenho da comunicação social, principalmente a pública, a OMUNGA realizou mais um Quintas de debates no dia 14 do corrente, desta vez para discutir sobre o papel da média pública na corrida eleitoral. Foi prelector o Jornalista e Escritor Domingos da cruz. O debate aconteceu na esplanada do Hotel Mombaka, em Benguela.
Caracterizado pela sua retórica, o orador dissertou sobre o tema através de um esquema científico que mostrava o favorecimento que a comunicação social estatal faz ao partido no poder, em detrimento de outros partidos políticos, violando assim o principio da igualdade de tratamento dos partidos políticos.
O esquema que continha gráficos e sobretudo quantidade e qualidade de tratamento dos partidos políticos nos órgãos de comunicação social, nomeadamente Rádio Nacional, TPA, Jornal de Angola e ANGOP, baseou-se no resultado de estudo feito aquando das eleições legislativas de 2008. O resultado mostrado dava uma diferença abismal em casos de tratamento.
Durante a sua prelecção, o orador também falou de alguns órgãos de informação privados que surgiram ao arrepio da lei, como é o caso da Rádio Mais, a TV Zimbo, o Jornal o País, o Novo Jornal, que na sua opinião, trabalham para o favorecimento do regime actual.
O prelector partilhou também com a plateia os relatórios de pesquisas sobre a liberdade de imprensa no mundo inteiro feitos no Canadá, EUA, Inglaterra e o outro feito pelos repórteres sem fronteira, na França. Em todos os resultados destes relatórios Angola aparecia em posições catastróficas.
Segundo o mesmo, o número de órgãos de informação não define a existência de liberdade de imprensa num país porque todos podem estar a favor de um só grupo. “Não tem a ver com quantidade, tem a ver com qualidade. Podemos ter um só órgão de informação e mesmo ter liberdade de imprensa porque este órgão pode dar igual tratamento a todos”, acrescentou.
Na opinião de Domingos da Cruz, o resultado do desempenho da Comunicação Social Pública não está a ser diferente neste processo eleitoral.
Foi um debate caracterizado por muita energia tanto do prelector como dos convidados.
Intervieram para o debate 10 convidados e todos, nas suas intervenções, estavam de acordo que os órgãos de informação em Angola têm estado a favor do actual regime angolano, agindo de forma parcial contra outros partidos ou forças discordantes.
O debate durou cerca três horas e dele participaram 100 pessoas.

Dino Jimbi

MARCOLINO MOCO, EM CONFERÊNCIA DE IMPRENSA: DESUMANIDADE NAS DEMOLIÇÕES DO LUBANGO

Caras amigas e amigos jornalistas
e todas as entidades individuais e colectivas aqui presentes,

Como constou do convite que vos enderecei, de que vos agradeço desde já a presença, é a situação flagrante de violação dos direitos constitucionais e de direitos humanos no Município do Lubango, Província da Huila, por quem os devia proteger, que aqui nos junta.
Como é do domínio público, para além de docente universitário, a minha actividade principal é hoje a de advogado no sentido técnico-jurídico previsto na Constituição e na lei. Também é do domínio público que o meu passado confere-me naturalmente o estatuto daquilo que é vulgarmente chamado de homem político no sentido estrito do termo.
Não é nem na primeira nem na segunda condição que me encontro aqui. Na primeira porque nessa condição impõe-me a deontologia que não fale publicamente de processos judiciais pendentes em que esteja envolvido; na segunda porque quem me acompanha de perto sabe que por vontade própria, suspendi momentaneamente a minha actividade político-partidária no sentido estrito do termo de forma séria e comprometida.
Porém, devem todos saber que é constitucional e internacionalmente facultado a qualquer cidadão vivente num país democrático e de direito, participar directamente nos seus assuntos públicos, dentro dos marcos da lei.
É o que me traz aqui hoje, para compartilhar convosco, como homens da imprensa e outros ligados à problemática da defesa dos direitos humanos e da dignidade humana, ideias sobre o caso enunciado.
Serei telegráfico para vos poupar tempo (e dinheiro, “como dizia o outro”).
O que se passa hoje no Lubango, em termos do respeito aos direitos fundamentais consagrados na Constituição da República de Angola e da legislação atinente aos direitos humanos ratificados pelo nosso Estado, brada aos céus, como se costuma dizer.
Estou a referir-me apenas a forma como moradores de certos bairros, têm sido transladados da cidade do Lubango para os arredores, onde são obrigados a ocupar terrenos completamente arborizados, sem qualquer tipo de infra estrutura, porque destinados ao pasto de gado de habitantes locais, por sua vez despojados dos mesmos, sob o pretexto de que a terra pertence ao Estado. Provas sobre isso estão vivas na memória de muitos, que se devem recordar do caso TChavola, de 2010, que levou a Assembleia Nacional a fazer deslocar para a Huila, uma delegação chefiada pelo deputado Higino Carneiro, em que foi recordada uma Resolução clara desse órgão sobre o que se deve fazer nessas condições, na base de irregularidades que tinha havido também em Luanda.
Não obstante isso, o mesmo se passou, pouco depois, e no mesmo ano, com populações que foram transladadas para TChimúcua, todos eles a verem as suas casas onde viviam há gerações, por isso protegidos pelo Direito Civil, a serem demolidas em nome de projectos (CFM e uma zona ribeirinha) que até hoje, dois anos passados mal arrancaram, sem a indemnização justa, prevista no artigo 37º da Constituição. Mas o que mais arrepia qualquer mente humana não é a questão material; é a forma desumana, quase polpotiana, como isso é feito, com prejuízos incalculáveis, para a dignidade humana em geral, com repercussão para aspectos concretos como a saúde das mulheres-mãe, velhos e crianças em geral, a escola para os filhos, o emprego, o transporte, falando-se mesmo em óbitos que tiveram que ser interrompidos e em mortes provocadas por esses eventos.
Mas o que me traz aqui, hoje, é que depois de um envolvimento pessoal, em que ultrapassei facilmente a ideia propalada de que há um padre (o Padre Pio) que tem estado a empolar as coisas; porque andei no terreno, conversei com toda a gente, sem exclusão de nenhum interessado, culminando com contactos ao mais alto nível nacional, para impedir uma terceira edição dessas tragédias humanamente provocadas, em pleno tempo de paz;
Neste momento, os do Bairro (por ironia) Agostinho Neto (outra ironia dramática é que esses vão para o mato TChitunho=buraco, enquanto os outros foram para TChavola=podre), estão a ser vítimas da mesma sorte trágica, como podem atestar algumas fotografias tiradas às escondidas, devido a repressão de forças colocadas no terreno, sem o conhecimento do Ministro do Interior, que teve a amabilidade de me receber e conversar longamente comigo sobre o assunto anteontem, numa altura em que a astúcia maquiavélica como os actos foram preparados, já não lhe permitiram informar-se e intervir a tempo.
Haveria muitos pormenores a referir, mas não posso abusar do vosso tempo. Irei escrever sobre o assunto na minha página Net, www.marcolinomoco.com
Obrigado,
 e espero por vossas quetões, sobretudo relacionadas com os aspectos jurídico-constitucionais da matéria.