05/09/2012

UNITA É O GRANDE VENCEDOR: EMBORA MUITAS VEZES TENTANTO ATUAR ISOLADA, AMADURECEU!

BUSCAR DADOS PARA ME DISTRAIR
Para o meu amigo Rui Ramos, perito em conversas e desconversas, em dados e desdados, forte abraço!!!!
Lembrei-me que afinal "presentes" se fazem de nadas! Passados, sonhos futuros e coisas e tais. E vou daí de bisturi em punho rasgando palhaçadas. Grito em cada golpe que dou, não em mim, mas na minha mísera imagem de expectante! E saltitam dados, números, ilógicas amedrontamente construídas em factos!
Voltei a 1992. O meu amigo Rui Ramos ajudou-me neste percurso. Só com a sapiência de quem sabe, Rui Ramos buscou a foto que precisávamos do há 33 anos presidente da república. Ele ainda jovem, aparentemente menos caduco, votava (não o Rui Ramos porque aparentemente é portuga mas o marido da Ana, o cidadão que questionam santomense, José Eduardo dos Santos).
Resolvi procurar novamente os dados, aqueles que os grandes meus amigos, não sei, nem me interessa, porque razão, desleixam-se ou propositadamente esquecem-se, que me assusta, de atirarem para estas montas!
1992: Qual era o quadro dos resultados que Savimbi decidiu considerar fraudulentos e arrancar com uma nova guerra?
Estatística das Eleições de 1992



No processo do Registo Eleitoral a nível Nacional estimou-se e alcançou-se os seguintes valores.
Estimou-se
5 809 000
Alcançou-se
4 828 626


No processo do Registo Eleitoral a Nível Províncial estimou-se e alcançou-se os seguintes valores.
Província
Estimou-se
Alcançou-se
Bengo
86 000
91 921
Benguela
830 000
567 825
Bié
577 000
354 567
Cabinda
84 000
16 079
Cunene
118 000
148 528
Huambo
781 000
467 811
Huíla
444 000
509 167
Kuando Kubango
67 000
133 161
Kwanza Norte
193 000
137 962
Kwanza Sul
330 000
369 150
Luanda
859 000
854 891
Lunda Norte
149 000
141 545
Lunda Sul
78 000
87 451
Malange
456 000
327 337
Moxico
163 000
137 798
Namibe
60 000
84 918
Uíge
432 000
318 289
Zaire
102 000
80 166

No processo de Eleições Legislativas foram considerados como válidos, em branco e nulos os seguintes Votos.
Válidos
3 651 728
Em Branco
281 720
Nulos
262 940

Estatísticas dos Votos Expressos nas Eleições Presidenciais
No processo de Eleições Presidenciais foram Expressos e não Expressos os seguintes Votos.
Expressos
4 363 646
Não Expressos
464 980

No processo de Eleições Presidenciais foram considerados como válidos, em branco e nulos os seguintes Votos.
Válidos
3 792 037
Em Branco e Nulos
571609

Estatísticas das Eleições 1992
Nas Eleições Legislativas:
MPLA
1 976 940
UNITA
1 258 103
FNLA
84 110
PLD
83 469
PRS
77 605
PRD
30 680
PSD
28 694
AD-COLIGAÇÃO
27 353
OUTROS
84 774

Nas Eleições Presidenciais:
José Eduardo dos Santos
1 877 052
Jonas Malheiro Savimbe
1 547 586
Outros
367 399

Embora não seja necessário, sei disso, mas é importante refrescar que vínhamos duma guerra (17 anos a contar de 11 de Novembro de 1975). Pelos vistos o efeito guerra não foi fator para impedir tamanho equilíbrio!
Daqui explodiu o que, a frase mais sublevante, “fazer a guerra para acabar a guerra” teve todo o seu impacto! Matou-se o adversário que afinal, levava com ele inúmeras responsabilidades!
Veio 2008 (consegui através do Google, esta informação da Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_legislativas_de_Angola_em_2008) :

 Resultados [11]

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) divulgou em 10 de setembro os últimos resultados parciais das legislativas angolanas, os quais confirmam a vitória do governista Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) com 81,76% dos votos emitidos.
Segundo a CNE, o MPLA recebeu 4.520.453 votos, contra 572.523 da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), que correspondem a 10,36% e colocam o principal partido opositor em segundo lugar na preferência do eleitorado angolano.
Em terceiro lugar ficou o Partido de Renovação Social (PRS), com 173.546 votos, que representam 3,14% do total.
O MPLA passa de 1 976 940 para os assombrosos 4.520.453 votos!!!! Varinha mágica? Se calhar, mas muito laboratório se remexeu! Ao contrário, a UNITA passava do equilibrado 1 258 103 para tão somente 572.523 votos. Que fatores os grandes analistas e catedráticos apresentam para estes resultados?
Vejamos agora 2012 (dados da CNE a 23H47 em http://www.eleicoes2012.cne.ao/paginas/paginas/dat99/DLG999999.htm)  
Partido/coligação
Votos
MPLA
MPLA
4.055.448
71,82%
UNITA
UNITA
1.055.859
18,70%
CASA-CE
Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral
342.654
6,06%
PRS
Partido de Renovação Social
95.758
1,69%
FNLA
Frente Nacional de Libertação de Angola
61.369
1,08%
ND
Nova Democracia União Eleitoral
12.672
0,22%
PAPOD
Partido Popular para o Desenvolvimento
8.255
0,14%
FUMA
Frente Unida para a Mudança de Angola
7.839
0,13%
CPO
Conselho Político da Oposição
6.356
0,11%


Vamos ao que interessa. Infelizmente não possuo os dados de Caimbambo e Chongooroi (municípios de Benguela), onde a UNITA ganhou em 1992 mas os dados atuais apontam para: MPLA – 93,79 e 91,01% e a coitada da UNITA recebe estes dados: 4,76 e 7,08%. Será possível que em municípios de predominância da UNITA em 1992 passem a uma minoria diluída? Quem conhece o terreno sabe que as populações não embarcam assim em mudanças tão radicais. Mesmo que pudessem ter havido desilusões ou, comprados, como , muitos sobas, com uma bicicleta, nunca um resultado se alteraria, dentro da legalidade e transparência, desta forma abismal!
Mas agora vamos concluir! A UNITA volta a aproximar-se dos dados que lhe apontaram para 1992, sobe, cerca de 500.000 votos a mesma quantidade que desce o MPLA com o cabeça de lista José Eduardo dos Santos!
Espertos, quero aqui dizer peritos, ficaram surpresos com a subida da UNITA, pensando mesmo que a CASA-CE lhe retiraria eleitorado (continuo a considerar nesta fraudulência de fraudulite eleitoral). É porque estão distantes dos laboratórios eleitorais. A CASA-CE pode ter retirado votos à UNITA mas absorveu os votos do Bloco democrático e do Partido Popular, mais do primeiro, para além dos do MPLA. Na construção arquitetónica do laboratório eleitoral era obrigatório que a UNITA subisse, porque teve capacidade de demonstrar adesão! Com as suas posições, reações, manifestações, ela jogou bem. Vai jogar melhor se convidar todos os cidadãos a irem para a rua até que se reveja o processo eleitoral e se resolvam todos os pendentes. Apoiarei sempre essa iniciativa, seja da UNITA, da CASA-CE ou do MPLA. Seja de quem quer que seja!

03/09/2012

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS O GRANDE PERDEDOR E MPLA E DEMOCRACIA PERDEM COM ELE

OS PROGRAMAS ELEITORAIS
Aos meus amigos Ismael e Sérgio
Contrariamente ao meu amigo Ismael Mateus (partilhado no facebook), eu acho precisamente que o programa eleitoral do MPLA não reflete em nada um programa democrático e de quem está interessado em construir uma verdadeira democracia onde o cidadão é o ponto de partida e de chegada (lembrar a música de Pedrito).
Lembro-me de ter lido no facebook, uma passagem do Sérgio Calundungo que mais ou menos resumia-se assim: “não interessa tanto o que vão fazer, importa mais como o vão fazer”.
É neste “como”, onde o programa do MPLA peca. Concentra-se mais uma vez numa visão económica, de infra-estruturas e de serviços. O cidadão é visto como um instrumento, ou seja, se se constroem hospitais é para que os trabalhadores estejam mais saudáveis e possam “produzir mais”, se se constroem escolas, é para que os trabalhadores estejam mais bem formados e “produzam melhor”, se se constroem estradas, é porque se precisa de circulação de mercadorias e a “economia cresce mais”, se…. E por aí adiante.
Vou fazer uma ronda pelo programa do MPLA, tomando em conta os aspectos que acho que deveriam ser prioridade para a nova legislatura:
Revisão da Constituição: É óbvio que o programa do MPLA não aborda esta questão, mas pelo contrário, consta do Projecto da UNITA;
Direitos Humanos: Aparece apenas uma vez descrito no programa do MPLA, minimizada a questão e atirada para “fortalecer os direitos humanos como instrumento transversal das políticas públicas e de interacção democrática”. Ao contrário, o programa da UNITA dedica um capítulo inteiro onde sobressai os Direitos Humanos como a base do respeito pela dignidade humana;
Sociedade Civil: O programa do MPLA faz apenas duas referências à SC. A primeira, como complemento do Estado para as ações sociais e outra com o papel moralizador. No programa da UNITA, sobressai um capítulo específico demonstrando um papel da SC na democratização do país;
Caso Cabinda: O programa do MPLA fala de um estatuto especial, não aborda diálogo. Como sabemos várias vozes exigem o diálogo. O programa da UNITA fala do diálogo;
Autarquias: O programa do MPLA volta a falar numa “institucionalização efectiva, gradual e paulatina de um poder local autónomo e autárquico, adequado às especificidades do nosso País, no domínio histórico e cultural, geográfico, económico e social”. É visível a ideia do controle do processo. No programa da UNITA, as autarquias aparecem abordadas mais como uma obrigação efectiva;
Auditoria da dívida pública: Nenhum programa foca este aspecto no entanto, o programa da UNITA aborda bastante o combate à corrupção o que nem isto aparece no programa do MPLA;
Demolições e desalojamentos forçados: Não é abordado no programa do MPLA. Ao contrário, há um capítulo dedicado ao assunto no programa da UNITA, demonstrando a total condenação e medidas preventivas e medidas de apoio para as populações já afetadas;
Direito à manifestação: Não é referenciado no programa do MPLA o que pode criar dúvidas sobre quais serão os futuros posicionamentos perante novas manifestações e o futuro dos nossos dois concidadãos raptados. No programa da UNITA, o Direito à Manifestação aparece bem patente, num capítulo, garantindo definitivamente o seu respeito e proteção e reconhecendo como uma ferramenta importante na democratização do país;
Concluindo com isto, é fácil imaginar em que partido votaria caso eu tivesse decidido votar. É fácil, não Ismael?
Resolvi nestas linhas, expressar a minha reflexão em relação a todo este processo eleitoral. Não poderia deixar de fazê-lo sem analisar, também, o “princípio”. A revisão constitucional. No entanto, começo pelo fim. Os resultados divulgados pela CNE.
Ao avaliar os referidos resultados, dou-me conta do primeiro grande aspecto que demonstra a derrota de José Eduardo dos Santos. Perguntar-me-ão: Mas como, se lhe é atribuído, como ao MPLA, é claro, uma maioria esmagadora de 70 e poucos porcento?
Possivelmente para os distraídos, esse dado poderia representar uma espantosa vitória. Mas para os mais atentos, denota-se imediatamente que nem aparente vitória é, mas sim, uma verdadeira derrota.
Devemos todos estar-nos lembrados dos valores atribuídos ao MPLA em 2008. Oitenta e três porcento. Nessa altura, apenas estava-se a escolher os deputados. Havia a promessa de realizar-se eleições presidenciais precisamente no ano seguinte. Naquela altura, o cabeça de lista não aparecia nos boletins de voto. Apenas apareciam os partidos e apenas se votavam nos partidos. (votei dessa vez!!!!)
Desta vez, com a aprovação arranjada da nova Constituição, o cabeça de lista aparece também no boletim de voto já que se vota para a Assembleia Nacional e para o Presidente da República. Os dados apontam para um decréscimo de cerca de 11% para o MPLA. Como pode ter isto acontecido? É certo que muitos vão dizer que ambos resultados, de 2008 e de 2012, são dados arranjados em laboratório. Poderemos também discutir isso depois. No entanto torna-se importante lembrar que, como sempre propagandeado, vivemos em Paz há 10 anos. José Eduardo dos Santos é o “arquitecto da paz”! Por outro lado, Angola é o país que mais cresce no mundo! É um “canteiro de obras” graças ao presidente!
Então poderemos pensar em 3 fatores: a) se os dados foram arranjados no laboratório não puderam arquitetá-los da mesma maneira de 2008, b) a imagem de José Eduardo dos Santos e do seu executivo está desgastada e c) será a conjugação dos dois fatores anteriores.
Em relação ao primeiro factor, cabe a grande responsabilidade ao crescimento da consciência crítica dos angolanos, quer como cidadãos, quer como organizações da sociedade civil, quer mesmo como partidos da oposição. A grande pressão e fiscalização, mesmo não alcançada a real transparência, obrigaram os técnicos do laboratório eleitoral, a não repetirem a experiência de 2008.
Em relação ao segundo factor, cabe a grande responsabilidade ao Presidente da República pela continuidade da corrupção, do desrespeito aos Direitos Humanos, à má distribuição da riqueza, resultando num empobrecimento assustador da maioria da população.
Por outro lado, se avaliarmos os dados apresentados por província, realço os de Cabinda, Lunda Sul e Luanda, onde apontam para o MPLA 59,4, 58,49 e 59,42%, respectivamente, tais dados demonstram claramente os problemas de insatisfação nestas províncias que contradizem com os discursos e propagandas da TPA e RNA. O laboratório eleitoral não pôde arranjar melhor estes dados.
Onde começa este processo? Na revisão constitucional. Conforme na altura me pronunciei contra a forma como foi levado o processo, volto a considerar que o mesmo contitui a razão da minha abstenção de votar. Apoiarei sempre qualquer partido que dê a garantia de nova revisão.
Se o processo de revisão foi-se transformando em flagrantes desrespeitos ao legislado de forma a produzir a atual Constituição, é de se esperar que se voltasse a repetir no processo eleitoral, já que o objetivo é único, legitimar e manter José Eduardo dos Santos no poder.
Depois foi o que todos sabemos do caso Suzana Inglês. Depois foi o caso da auditoria aos ficheiros. Depois foi o caso dos cadernos eleitorais. Depois foi o caso dos credenciamentos dos partidos para as mesas e assembleias de voto. Depois foi o caso dos dados falsos nos ficheiros. Mortos registados, vivos sem registo ou com registo em locais distantes. Depois foi o credenciamento dos observadores, obrigando-os a ir para Luanda ou riscando-os da lista. Depois foi o silêncio ou arrogância em relação às queixas apresentadas especialmente pela oposição; por aí há muitos “depois”……
Depois, foi a comunicação social pública, essencialmente mais preocupante por ser a de todos nós, aumentando espaços de publicidade do governo, dando mais espaço ao MPLA, fazendo as melhores coberturas e recolha de imagens para as atividades do MPLA, etc.
Depois, foi misturar o cargo de Presidente da República com o de cabeça de lista, aproveitando recursos e posição, fazendo inaugurações e ao mesmo tempo comício de campanha.
Depois, são os nossos concidadãos desaparecidos, organizações ameaçadas, manifestantes presos….
Mas parece que a campanha continua e então agora vejo comentadores e mais comentadores na televisão. Eles trazem-nos as suas análises, como esta: “é importante a manutenção do poder porque isto cria imagem de estabilidade e atrai mais empresários.” (não foram propriamente estas palavras mas é este o sentido que retirei). Conclui: “as ditaduras é que são o atrativo para empresários. A velha ligação entre capital e poder público. Os interesses individuais em detrimento do colectivo. Nós conhecemos quem são os empresários, ou melhor, o tipo de empresários.
Por outro lado, abordando a sociedade civil, diz-se (os tais analistas) “há países estrangeiros interessados em desestabilizar Angola e financiam a sociedade civil”. (dito pelas minhas palavras) É completamente contraditório porque se interessa aos interesses privados estrangeiros, a ditadura em Angola, não vejo porque estariam então interessados a desestabilizar tal ditadura?
Depois é este constante lavar de cérebro de termos inimigos em toda a parte. No estrangeiro (onde a família de José Eduardo dos Santos tem interesses?), na sociedade civil, na crise mundial, nos partidos da oposição, etc.
Após os resultados finais serem publicados e depois do posicionamento dos partidos participantes sobre os mesmos, acredito que a OMUNGA fará o seu pronunciamento completo sobre o que observou durante todo este processo. De certeza que vai reiterar o seu apoio a todos aqueles que não legitimarem a Assembleia Nacional nem o Presidente da República resultantes dum processo “não” transparente, “não” justo, “não” livre!
Aquele abraço