17/01/2013

DECLARAÇÃO POLÍTICA DO GRUPO PARLAMENTAR DA CASA-CE SOBRE O OGE DE 2013


CASA-CE
GRUPO PARLAMENTAR
DECLARAÇÃO POLÍTICA
SOBRE O ORÇAMENTO GERAL DE ESTADO 2013
DO PRESIDENTE DO GRUPO PARLAMENTAR


Sua Excelência Sr. Presidente da Assembleia Nacional
Venerando Juiz Conselheiro Presidente do Tribunal Constitucional
S/Excias Srs. Vice-presidentes da Assembleia Nacional
S/ Excias ministros e secretários de Estado
Minhas senhoras, meus senhores,
Estimado Público

Esta é a 1ª Reunião Plenária da Assembleia Nacional, respeitante ao ano de 2013 e assim sendo, permitam-me que em nome da CASA-CE, do seu Presidente e muito em particular do seu Grupo Parlamentar e no meu próprio, formule votos de um Ano Novo Feliz e Próspero, para todos os presentes e respectivas famílias.
Estamos no período dos cem (100) primeiros dias de funcionamento desta III legislatura. Em todas as 4 reuniões plenárias que tiveram lugar, incluindo a Reunião Constitutiva e 1ª Extraordinária, verificou-se a violação ostensiva de alguma norma da Constituição ou da Lei. Alenta-nos o facto de Vossa Excelência, senhor Presidente, ter-nos prometido tudo fazer para se ultrapassar esta fase e, esperamos que o ano novo que se inicia, seja uma boa oportunidade para tal.
Por outro lado, lamentamos o facto de continuarmos quer como Grupo Parlamentar, quer como deputados a não dispor dos assistentes necessários, previstos na Lei 13/12 de 2 de Maio, Artigo 25º ponto 2 e 32º ponto 3, respectivamente.


Sem os quadros técnicos adequados, os deputados e os correspondentes grupos parlamentares estão impossibilitados de prestarem ao Povo, um trabalho de qualidade, e é importante que ele saiba disso. Tal é a situação presente em que não temos técnicos que nos ajudem a analisar a proposta de OGE.
Entretanto, o Grupo Parlamentar da CASA-CE quer felicitar Vossa Excelência, Senhor Presidente da Assembleia Nacional, pelo modo como promoveu e permitiu o debate, nesta Magna Assembleia em que todas as forças políticas puderam exercer o seu direito de se expressar livremente, nos marcos estabelecidos pela Lei.
Excias, senhor Presidente, senhores Deputados, senhores Ministros, senhores Secretários de Estado, minhas senhoras, meus senhores;
O que nos reúne hoje aqui é uma tarefa de grande responsabilidade. E é com elevado sentido de Estado que a CASA-CE encara o processo de aprovação da proposta do OGE/2013.
Nos termos do Artigo 104º da Constituição da República, o Orçamento Geral do Estado, constitui o plano financeiro anual ou plurianual consolidado do Estado, e nos instrumentos de Planeamento nacional.
Assim em boa verdade, não é possível fazer-se uma análise adequada, da proposta de Orçamento Geral de Estado, sem documentos importantes, como o Plano Nacional de Desenvolvimento, a Conta Geral do Estado de 2011 que deveria ter dado entrada na Assembleia Nacional, a 30 de Setembro de 2012 e, por fim os Relatórios de Execução Trimestral do Orçamento Geral do Estado de 2012.
A CASA-CE teve o cuidado de, em sede da Conferência dos presidentes dos grupos parlamentares da Assembleia Nacional, solicitar à Presidência da Assembleia Nacional, os documentos supracitados, tendo obtido como resposta que os mesmos seriam solicitados ao Executivo, para distribuição, na eventualidade de existirem. Porém até ao momento, não nos foram entregues.
De realçar, por outro lado que para a CASA-CE, o Relatório de Fundamentação da proposta de OGE/2013, não é o Plano Nacional, e não contém os elementos de informação suficientes para o substituir como pretendem alguns técnicos ligados à elaboração da proposta de OGE/2013.
Entretanto, a não prestação de Contas pelo Executivo à Assembleia Nacional, nos termos dos artigos 58º e 63º da Lei nº 15/10 de 14 de Junho (Lei Quadro do Orçamento Geral do Estado), dificulta o processo de estabelecer o necessário vínculo de continuidade na análise da execução de projectos e programas plurianuais. Ou seja, há projectos e programas inscritos nos orçamentos gerais do Estado anteriores, cujos prazos de execução já expiraram e as verbas orçamentadas já foram cabalmente cabimentadas. Como não se forneceu uma explicação sobre os motivos da recondução total ou parcial dessas acções no actual OGE, torna-se difícil compreender a razão de continuarem a constar na actual proposta de OGE.


Excias, senhor Presidente da Assembleia Nacional, Srs. Vice-presidentes, Srs. Ministros e Secretários de Estado, minhas senhoras e meus senhores;
Nos termos da Constituição, compete à Assembleia Nacional aprovar o OGE, conforme a alínea e) do Artigo 161º (Competência Política e Legislativa) o que, numa vertente, significa dizer, alocar as verbas necessárias à execução das despesas. Do mesmo modo, compete à Assembleia Nacional, realizar o Controlo e a Fiscalização Externa, da execução do OGE, nos termos do nº 4 do Artigo 104º (Orçamento Geral do Estado) e das alíneas a) e b) do Artigo 162º (Competência de Controlo e Fiscalização).
Ao Presidente da República, a Constituição reserva as competências de submeter à Assembleia Nacional, a proposta de Orçamento Geral do Estado, nos termos da alínea c) do Artigo 120º (Competência como titular do Poder Executivo), bem como a de executar o OGE, nos termos das várias competências que lhe são atribuídas pela Constituição, nas vestes de Chefe de Estado, Titular do Poder Executivo, Comandante em Chefe das Forças Armadas Angolanas e nos âmbitos das Relações Internacionais e da Segurança Nacional.
Sucede que em determinados artigos desta proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado, para o Exercício Económico 2013, não se respeitou o acima referido. Só para citar alguns exemplos, pois os 5 minutos programados para apresentação desta Declaração Política, não permitem mais, temos o seguinte:
         1) O Executivo pretende ser autorizado a inscrever no OGE, a posteriori, projectos do Programa de Investimentos Públicos iniciados em exercícios económicos anteriores e não concluídos. Ver alínea e) do Artigo 3º (Regras Básicas).
A posição da CASA-CE é, se os projectos já estão identificados, devem ser inscritos, normalmente no OGE antes da sua aprovação. Caso contrário, a sua inscrição deverá, necessariamente merecer a prévia aprovação da Assembleia Nacional  ou aguardar para o ano seguinte.
         2) Não se entende bem, na proposta de Lei, o nº 1 do Artigo 6º (Reserva Financeira Estratégica Petrolífera para infra-estruturas de Base), se a Reserva já existe, ou está a ser criada, por força do citado Artigo 6º. Se a reserva é para custear despesas com infra-estruturas de base, porquê que não se inscreve desde já as mesmas no OGE, sem necessidade de se constituir essa Reserva Financeira? Se não há ideias, nem estudos das infra-estruturas a criar, pensamos que é melhor alocar as verbas disponíveis a projectos e programas já identificados. Por outro lado, o Executivo não nos dá a dimensão monetária das receitas resultantes dos direitos patrimoniais do Estado, nas concessões petrolíferas, o que dificulta ainda mais a decisão. Alocar verbas para execução das despesas, é competência da Assembleia Nacional, voltamos a lembrar.
  
Entretanto, a pretensão de se criar fundos, reservas financeiras estratégicas, etc., para custear despesas que podem normalmente serem inscritas de início, na proposta do OGE, é um facto recorrente, na proposta de Lei que visa aprovar o Orçamento em causa.
3) Outro facto, inaceitável para o Grupo Parlamentar da CASA-CE, é a intenção do Poder Executivo pretender criar um regime especial para a cobertura, execução e prestação de contas, por parte dos órgãos e serviços públicos que realizam funções de inteligência interna e externa (Artigo 11º - Despesas e Fundos Especiais), sem clarificar, em que consiste esse regime especial. Isto tem de ser explicado na proposta de Lei.
Tão pouco a CASA-CE aceita que a prestação de contas dos fundos utilizados por esses órgãos e serviços seja regulamentada pelo Presidente da República. A semelhança do que se passa em muitas partes do mundo, segundo a nossa Constituição, compete ao Parlamento controlar e fiscalizar a utilização de dinheiros públicos. A Assembleia Nacional pode criar mecanismos próprios, restritos e multipartidários para exercer essa função de controlo e fiscalização. A Comissão de Segurança Nacional é uma possibilidade.
Em resumo, evitando-se a multiplicação na criação de fundos e reservas financeiras estratégicas, salvo os estritamente necessários, estamos a evitar que os dinheiros de Angola estejam mal parados pelo mundo, o que tem dado azo a várias acusações e suspeições de corrupção, lavagem de dinheiros, etc.
O controlo e a fiscalização das despesas dos órgãos e serviços de inteligência por mecanismos apropriados da Assembleia Nacional, evita a partidarização desses órgãos e serviços, os quais existem e devem existir para combater o inimigo. E, o inimigo, não são as forças políticas legais, na oposição, nem tão pouco devem esses órgãos e serviços estar ao serviço de um só Partido, como já sucedeu nos processos eleitorais.
Excias, o MPLA tem a capacidade de sozinho aprovar a proposta de OGE/2013, na generalidade. ACASA-CE, vai por isso, nas comissões de Trabalho especializadas fazer valer os seus pontos de vista, não só os já referidos, como muitos outros mormente:
         - Garantir que os desmobilizados portadores de deficiência de guerra, antigos combatentes, etc., não tenham nunca mais a necessidade de saírem à rua em manifestações para fazerem valer os seus direitos primários, como o de receberem as suas pensões e subsídios que lhes são devidos. Não podem ser tratados como produtos descartáveis que se usa e se bota fora. Muitos desses ex-combatentes permaneceram 10 e mais anos na tropa, em contravenção à Lei, porque o Estado não respeitou a legalidade, nem os direitos deles. Como consequência, não estudaram e não estão habilitados para o mercado de trabalho.
- Garantir que haja casernas condignas para a tropa.
- Que erradique no horizonte de 1 ano o elevado índice de tuberculose que grassa nas forças armadas.
- Que tenha como meta para a erradicação do analfabetismo 2017 e que se melhore a qualidade do ensino.
- Que se assegure energia eléctrica e água potável para todos durante o quinquénio.
- Que haja locomotivas, carruagens e vagões que rentabilizem os altos investimentos feitos nos caminhos-de-ferro de Angola, isto é, Luanda, Benguela e Moçâmedes.
- Que se criem postos de trabalho para emprego da juventude.
- Melhorar a assistência médica e medicamentosa, etc.
É, suposto pensar que aqui na Assembleia Nacional, estão alguns dos melhores homens e mulheres do nosso povo, o povo angolano.
Todos nós, sem excepção, fomos incumbidos a materializar os interesses e aspirações do povo que nos elegeu a agir com honestidade e verdade, em prol do bem comum.
Lembro que, ser patriota é ser fiel a Pátria, acima de tudo, tudo mesmo.
Para terminar, queremos deixar patente que tal como está o presente pacote legislativo, não beneficia da nossa aprovação. Mas, caso haja flexibilidade, de parte a parte, na actividade das comissões de trabalho especializadas, e se introduzam as correcções pertinentes e necessárias, o Grupo Parlamentar da  CASA-CE não deixará de aprovar o pacote legislativo do OGE/2013. Só a verdade nos une. E só a união nos faz mais fortes, capazes de vencer a batalhar do Desenvolvimento.

Viva Angola, viva o Povo Angolano, Viva a Unidade Nacional.
Muito obrigado

16/01/2013

OGE: TOMADA DE POSIÇÃO DA AJPD E OMUNGA


TOMADA DE POSIÇÃO
A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) e a OMUNGA tomaram  conhecimento da aprovação pela Assembleia Nacional (AN)  de Angola, aprovação na Generalidade do Orçamento Geral  do Estado (OGE) para o ano 2013, conforme  previsto no art. 161, alinea e) CRA. O OGE é o principal instrumento  da política económica e financeira  da República  de Angola.

A AJPD e a OMUNGA constatam com  satisfação o esforço feito pela Assembleia Nacional (AN) em tentar aproximar os cidadãos na discussão do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Consideram ser um exercício importante no âmbito da democracia participativa, todavia lembramos que não basta este aparente processo de consulta aos cidadãos, ou à Sociedade Civil na  discussão do OGE, também é  importante e fundamental saber como será feita a gestão e a  execução do  respectivo Orçamento;

É imperioso que os agentes e servidores  públicos façam uma gestão parcimoniosa dos recursos financeiros, nos termos do art.13 da Lei nº 3/10 de 29 de Março, “Lei da Probidade Pública”.

Por outro lado, a AJPD e a OMUNGA, chamam à atenção para que os Deputados exerçam com eficácia a fiscalização do referido  Orçamento, tal como Vos compete, nos termos do art. 162 alÍnea b) da CRA.

Por esta razão, as organizações subscritoras consideram imperioso que o Executivo disponibilize e divulgue o Sistema Integrado de Gestão Financeira (SIGFI) em sua posse há alguns anos e, torne disponível em especial aos Deputados, Procurador-geral da República, Presidente do Tribunal de Contas e aos cidadãos em geral, todas as informações necessárias para o acesso ao SIGFI .

As Organizações subscritoras consideram que só com a disponibilização  da informação  em tempo útil permitirá ao cidadão  exercer  o controlo social e a participar de modo cívico na gestão do erário público de forma séria, comprometida  e responsável.

Pelas Organizações
Lúcia da Silveira

Luanda, 16  de Janeiro

22/12/2012

OMUNGA PREOCUPADA COM REPRESSÃO HOJE EM LUANDA CONTRA MANIFESTANTES (22.12.2012)


REF.ª: OM/ 300 / 012
LOBITO, 22 de DEZEMBRO de 2012



COMUNICADO URGENTE


É com bastante preocupação que a OMUNGA está a acompanhar através da internet, a repressão levada a cabo pela Presidência da República através dos efectivos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) contra os manifestantes hoje em Luanda, 22 de Dezembro de 2012.

A manifestação que deveria decorrer hoje em Luanda, apelava para que fosse definitivamente esclarecido o paradeiro de Alves Kamulingui e Isaías Kassule, ex guardas presidenciais desaparecidos desde Maio de 2012 quando pretendiam manifestar-se para reivindicar o pagamento dos seus subsídios.

A manifestação reprimida violentamente é legal e de forma anti-democrática, mais uma vez o Sr. José Eduardo dos Santos, enquanto ocupante do cargo de Presidente da República volta a responsabilizar-se por mais uma violação flagrante da Constituição e de todos os Tratados internacionais de Direitos Humanos.

A OMUNGA exige imediatos esclarecimentos sobre mais este comportamento das instituições públicas que existem para defender os cidadãos (todos) e não para os reprimir, defendendo interesses estranhos à Democracia e ao Estado de Direito.

A OMUNGA aproveita para publicamente aconselhar o Sr. José Eduardo dos Santos a deixar o cargo que ocupa de Presidente da República pela insistente demonstração de incapacidade de liderar o processo de democratização, de construção do Estado de Direito e de pacificação do país.

A OMUNGA, ainda, apela a todos os cidadãos de boa-fé e à comunidade internacional para conciliarem esforços no sentido de se pôr fim definitivamente à violência institucional contra os cidadãos em Angola, por uma verdadeira democracia, exigindo a realização das eleições autárquicas em 2014, conforme garantido antes das eleições gerais de 2012.

José António Martins Patrocínio

Coordenador  
Foto de repressão de uma manifestação, este ano, em Benguela

19/12/2012

OMUNGA DESEJA FELIZ QUADRA FESTIVA


FELIZ QUADRA FESTIVA

Os nossos melhores cumprimentos.

A Coordenação da Associação OMUNGA vem pela presente agradecer a todos os membros, comunidades, parceiros e instituições, todo o esforço que desenvolveram durante este ano que está a findar em prol da luta pelo respeito da dignidade e direitos humanos em Angola..

Como reconhecimento desse esforço a OMUNGA recebeu uma “Menção Honrosa” pela “sua acção meritória em prol do empreendedorismo em Angola”, durante a 2.ª Gala “EMPREENDEDOR”, realizada no Cine Kalunga a 14 de Dezembro de 2012, e organizada pela Associação dos Empreendedores de Angola e a Revista Empreendedor, com o apoio do Governo Provincial de Benguela.

A Associação OMUNGA aproveita para informar que possui disponíveis exemplares do “Relatório de Estudo Sobre Quatro Casos de Desalojamento e Expropriação em Benguela e Lobito”. Os interessados devem contactar esta associação.

Votos de FELIZ QUADRA FESTIVA.

José António M. Patrocínio

Coordenador 

URBE: APRESENTA ESTUDO SOBRE URBANIZAÇÃO DE LUANDA E MAPUTO


Luanda e Maputo: inflexões suburbanísticas da cidade socialista à cidade-metrópole neoliberal
Luanda and Maputo: sub-urbanistic inflections from the socialist city to the neoliberal metropolis city
Isabel Simões Raposo 1
Sílvia Jorge 2
Sílvia Viegas 3
Vanessa Melo 4

Resumo
Luanda e Maputo, duas capitais africanas da lusofonia, são marcadas por crescentes desigualdades socioespaciais.Os centros urbanizados dessas urbes, traçados pela e para a sociedade colonial e onde hoje reside a maioria da população de maiores recursos, distinguem-se dos densos e extensos subúrbios habitacionais suburbanizados, onde outrora residia a sociedade colonizada e hoje se acantona a população de menores recursos. Nos primeiros anos de independência, em contexto de ideologia de inspiração socialista, economia planificada e planeamento centralizado, ambos os países visaram diminuir as desigualdades socioespaciais herdadas do colonialismo, intervindo nos subúrbios. A partir de finais da década de 80 do século XX, com o início da liberalização econômica e política, que levou, em Moçambique, à descentralização (ainda emergente em Angola), surgem novos actores, indutores de diferentes modelos de cidade e de fazer cidade, diversificando-se os tipos de intervenções suburbanas. A explosão, segregação e complexidade socioespacial desses subúrbios tem-se intensificado com a adopção do modelo de cidade neoliberal, competitiva e desigual.Tomando como referência esses dois grandes períodos sociopolíticos e urbanísticos, este artigo restitui,num olhar cruzado e crítico, diferentes tipos de intervenção nos subúrbios habitacionais semiurbanizados.O seu principal objectivo é reflectir sobre a circulação de influências e os paradigmas suburbanísticos em que se inscrevem.

Palavras-chave : Cidade socialista. Cidade neoliberal. Paradigmas suburbanísticos. Luanda e Maputo.

Abstract

Luanda and Maputo, two major Lusophone African capitals, are marked by growing socio-spatial inequalities.Their urbanized centers, traced by and to the colonial society and where today lives the population withmore resources, differs from the dense and extensive residential sub-urbanized suburbs, once inhabited bythe colonized society and where currently lives the lower income population. In the first years of the independence,in the context of a socialist ideology, planned economy and centralized planning, both countries aimedto diminish the socio-spatial inequalities inherited from colonialism, intervening in the suburbs. From the lateeighties of the twentieth century, with the beginning of the economic and political liberalization, which led, inMozambique, to decentralization (emerging in Angola), new actors emerging and inducing different modelsof city and of doing the city, diversifying the types of suburban interventions. Explosion, segregation and socio-spatial complexity of these suburbs are intensifying with the model of the neoliberal city, competitive andunequal. Taking as a reference these two big socio-political and urban periods, this paper returns, in a crossedand critical look, different types of interventions in the residential sub-urbanized suburbs. Its main objectiveis to reflect upon the circulation of influences and the sub-urban paradigms in which they are inscribed.

Keywords : Socialist city. Neoliberal city. Sub-urban paradigms. Luanda and Maputo.

1 Arquitecta-urbanista, doutora em Urbanismo pela Universidade de Paris XI, professora associada da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), Lisboa, e investigadora do Grupo de Estudos Sócio-Territoriais Urbanos e de Acção Local (GESTUAL) do Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD) da FAUTL, Lisboa - Portugal, e-mail: isaraposo52@gmail.com
2 Arquitectas e doutorandas, investigadoras do Grupo de Estudos Sócio-Territoriais Urbanos e de Acção Local (GESTUAL)do Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), Lisboa - Portugal, e-mails: aivlisjorge@gmail.com, silvialv.metapolis@gmail.com, vanessa.p.melo@gmail.com
3 Arquitectas e doutorandas, investigadoras do Grupo de Estudos Sócio-Territoriais Urbanos e de Acção Local (GESTUAL) do Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), Lisboa - Portugal, e-mails: aivlisjorge@gmail.com,silvialv.metapolis@gmail.com,vanessa.p.melo@gmail.com
4 Arquitectas e doutorandas, investigadoras do Grupo de Estudos Sócio-Territoriais Urbanos e de Acção Local (GESTUAL) do Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), Lisboa - Portugal, e-mails: aivlisjorge@gmail.com, silvialv.metapolis@gmail.com,vanessa.p.melo@gmail.com

obs: Para download http://www2.pucpr.br/reol/index.php/urbe?dd1=7395&dd99=view
 

18/12/2012

OMUNGA NA NORUEGA PARA FALAR DE ANGOLA E DA RESPONSABILIDADE NAS RELAÇÕES COMERCIAIS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO E COMBATE À CORRUPÇÃO

O coordenador da OMUNGA esteve na Noruega a convite do Conselho Norueguês para África. A primeira etapa foi desenvolvida em Bergen. Aqui, para além de participar numa Conferência, fez a projecção do documentário "Não Partam a Minha Casa" e organizou a exposição fotográfica "Vamos Votar".

Em Oslo, segunda etapa desta deslocação, fez entrevista para os jornais "AFTENPOSTEN" e "BISTANDSAKTUELT". Manteve um encontro com a equipe do Conselho Norueguês para África onde identificaram ações conjuntas. Por último, em conjunto com o Professor Universitário em Londres, JUSTIN PEARCE, falaram sobre Angola na Casa dos Direitos Humanos em Oslo.

O propósito desta deslocação foi mostrar a realidade de Angola no que se refere à grande desigualdade na distribuição da riqueza, o desrespeito pelos Direitos Humanos e à falta de transparência. Lembramos que Angola representa a prioridade nas relações económicas para a Noruega em África. Empresas importantes norueguesas como a STAITOIL, operam em Angola. Pretende-se assim chamar à atenção dos cidadãos noruegueses sobre a sua responsabilidade em exigir dessas empresas práticas transparentes bem como exigirem uma relação justa com Angola de forma a exigirem desta o respeito pela dignidade humana.

Links das publicações nos referidos jornais:
http://www.aftenposten.no/nyheter/uriks/Kinas-utstillingsvindu-slar-sprekker-7071562.html
http://www.bistandsaktuelt.no/nyheter-og-reportasjer/arkiv-nyheter-og-reportasjer/rettighetsaktivister-krever-fleksible-givere

Traduções através do google. Pedimos desculpa pela má qualidade das traduções:



Aftenposten Página Manhã 17/12/2012: 14,15 - Seção: Mundo - Parte: 1

Autor: Kristina overn
Angola é a vitrine de investimentos chineses no exterior. Mas rachaduras estradas, hospitais em colapso, e os angolanos acreditam que os chineses estão tomando seus empregos. Jon Arne Isachsen, professor de economia da Escola Norueguesa de Administração

- China nos deu uma alternativa ao financiamento ocidental e contribuiu para grandes investimentos públicos. Mas o que nós perdemos? Ele ajudou-nos no caminho da guerra, mas não há um bom controle de seus investimentos, a qualidade é pobre e criou uma nova forma de vício, diz José Patrocínio, cabeça do ser humano angolano organização de direitos Omunga, que esteve recentemente na Noruega por Conselho Norueguês para a África.

Angola, cheio chock dos recursos naturais e da história sangrenta, é um exemplo típico de como a China se aproxima dos países em desenvolvimento que deram o nome de um fenômeno separado: Modelo de Angola.

O princípio é bastante simples: você tem algo que eu quero, eu tenho algo que você quer - nós trabalhamos juntos. Como presidente de Angola, José Eduardo dos Santos resumiu em 2006, "A China precisa de recursos naturais e Angola precisa de desenvolvimento."
Fornecedor de óleo

- Os chineses são muito honesto que fazer isso em seu próprio interesse. Há uma diferença interessante de nós no Ocidente. Para ser honesto, que você faz algo que você mesmo vai beneficiar, muitas vezes são muito mais saudáveis ​​do que jogar Cruz Azul. As autoridades de Pequim saber que eles também precisam construir escolas e hospitais que os moradores podem desfrutar. Caso contrário, perde a legitimidade da China em Angola, diz Arne Jon Isachsen, professor de economia da Escola Norueguesa de Administração.

Desde o fim da guerra civil em Angola, em 2002, a China tem bombeado quase 90 bilhões em empréstimos para o país do Leste Africano. Para o dinheiro, as empresas chinesas ferrovias construídas, estradas, escolas, hospitais - e trouxe consideráveis ​​quantidades de petróleo. Angola é o segundo maior fornecedor de petróleo da China, depois da Arábia Saudita, eo óleo contribuiu para um crescimento surpreendente económico em Angola.

No entanto, ferrovias, escolas e estradas não são construídas de angolanos locais, na sua maioria são construídos por chineses. Os acordos entre as autoridades chinesas e angolanas significa que apenas 30 por cento da força de trabalho para projetos de infra-estrutura virá de Angola. O crescimento fabuloso faz pouco para os moradores.

- Tenho viajado muito em Angola e falou com os jovens lá. É uma raiva violenta contra a lá chinês, já que muitos angolanos não têm trabalho sozinho. Dito isso - provavelmente funciona muitos dos chineses por um salário tão baixo que ninguém mais aceita, diz Justin Pearce, que é um pesquisador pós-doutorado na Escola de Estudos Orientais e Africano em Londres e pesquisador Angola. Ele acredita que a influência do Ocidente em Angola está longe de ser o único positiva.

- Mas eu acho que, provavelmente, alguns dos esforços para combater a corrupção e os direitos humanos se torna mais difícil quando a China entra como uma opção de financiamento, disse ele.
Desperdiçar

Angola é, de facto, também um exemplo típico de um lado diferente do envolvimento chinês em outros países: eles não tocam assuntos dos países beneficiários internos. Assim, cabe a quem está no poder para distribuir dinheiro corretamente - e não fazer em Angola. Pelo contrário, usou o dinheiro para enriquecer as elites si.

- O dinheiro será usado para fins desnecessários: a estádios de futebol, estádios de basquete, e até mesmo um patins da Copa do Mundo. Mesmo quando o dinheiro vai para a finalidade pública útil, a qualidade é pobre. O novo hospital principal de Luanda teve de ser fechada depois de quatro meses, pois as paredes desmoronou. As estradas não será muito antes de elas explodirem. Eles constroem complexos de apartamentos que ninguém pode dar ao luxo de viver, diz Patrocínio.

Todos esses exemplos, os chineses têm sido envolvido dentro mais controversa é a "cidade fantasma" no município do Kilamba, três mil fora de Luanda. A cidade, que foi construído por uma empresa estatal chinesa de construção, custou cerca de 20 bilhões e detém meio milhão de pessoas. Mas ninguém pode dar ao luxo de viver lá.

Ao contrário da crença popular, não é o chinês que decidiram que os projetos de perda Kilamba será construído, ou que o dinheiro será usado em estádios de futebol no país que precisam desesperadamente de infra-estrutura básica.

- Kilamba não era o que os chineses queriam. Mas foi o governo de Luanda disse, virando-se firme Pearce.


Fatos:


China em África 


A China tem sido presente na África desde os anos 1950, quando foram olhando principalmente para garantir apoio no conflito com Taiwan.

Neste verão, o governo chinês prometeu fornecer 110 bilhões em empréstimos para a África ao longo dos próximos três anos.

Desde 2000, a China se apagado mais de 60 bilhões em dívidas da África.

49 países africanos recebem mais de 45 por cento de toda a ajuda chinesa.

Desde 2010, as empresas chinesas anunciaram investimentos em África torno de 560 bilhões, pelo menos, metade dos países na África.

Em 2000, o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) foi estabelecida. O fórum é realizado a cada três anos, e então muitas vezes anunciado pacotes de empréstimos de grandes dimensões. 

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Ativistas de direitos exigem doadores flexíveis
- Uma revolução silenciosa está em curso, diz ativista José Patrocínio organização Omunga. Ele a chama de um revival de Angola.
Para organizacional veterano José Patrocínio, é essencial que o movimento de juventude e de organizações da sociedade civil em Angola, para uma maior cooperação. Foto: Jan Speed


Algumas centenas de jovens que demonstram na capital, Luanda. Mais ao sul protestam ativistas da organização Omunga contra demolição forçada de casas. Ex-dirigentes do partido governante criticou a elite do poder.

- Um angolano nosso está à frente. Há mudanças entre os jovens, a sociedade civil e estrutura de poder. A revolução mais tranquila na tomada, diz José Patrocínio. Recentemente, ele estava na Noruega, a convite do Conselho Norueguês para a África.

- Temos vivido por muitos anos de guerra. Este usuário Presidente dos Santos para alertar contra a oposição. As pessoas não querem mais violência. Isso significa que nós escolhemos o confronto menos possível. Ainda assim, as pessoas são calmas, mas a menos que haja mudanças, haverá mais manifestações. As pessoas vão ficar ainda mais cansado do governo, disse Patrocínio.

As receitas do petróleo que flui para o Tesouro angolano, graças sido os esforços da Statoil e as empresas fornecedoras norueguesas. A corrupção generalizada no nível superior, e palhaçadas financeiras fazem pouco as pessoas comuns para o bem. Angola é um país típico que Holmås Heikki Desenvolvimento Eidsvoll vai mencionar como um exemplo de que o crescimento econômico não leva necessariamente a distribuição eqüitativa. Um papel branco sobre o uso da ajuda ao desenvolvimento para promover a distribuição mais eqüitativa está em andamento.

Prejudicada
Patrocinio acho que é uma discussão importante. Ele apóia reivindicações sobre direitos humanos frentes Noruega. Ao mesmo tempo, desafia os doadores a apoiar organizações da sociedade civil que trabalham em direitos humanos.

- Não há nada mais para fazer o trabalho direito do que a construção de uma escola. Estamos dificultada pelos modelos atuais de apoio. Doadores de ver-se como bancos e organizações da sociedade civil que de negócio. Para realizar o trabalho de direitos humanos, nós precisamos de mais flexibilidade, disse ele.

Omunga tiveram que tirar dinheiro de outros projetos, a fim de passar a protestar quando o governo de repente começa a demolir casas no bairro pobre. Em seguida, eles devem mobilizar advogados, cartazes de imprensa e as pessoas no lugar, sem procedimentos demorados.

Estreitando
Também acredita que a sala de Patrocínio para a liberdade de expressão em Angola está se tornando apertado. Duas pessoas da Guarda Presidencial que exigiu pagamento de salários desapareceram ao longo do ano passado. Ninguém sabe onde eles estão. Adolescentes que demonstraram foram recebidos com violência policial.

- Os meios de comunicação são controlados pelo Estado. Embora as estações de rádio mais privados e jornais são de propriedade de pessoas com ligações com a elite do poder. A propaganda driver para o partido no poder. É difícil para as pessoas de ter acesso à informação. Estes meios apresenta organizações de direitos como inimigos do povo pagos por estrangeiros, diz Patrocínio.

Omunga, negou a informação por parte do governo, como o que o governo gasta em programas sociais e de saúde.

- Nós dizemos que é o papel da sociedade civil para monitorar governo. As autoridades dizem que é o seu papel para monitorar nós, diz Patrocínio.

Embora não houve qualquer mudança de regime em Angola como Patrocínio acreditam que a consciência da Primavera Árabe afetou partes da sociedade angolana. Justin Pearce da Escola de Estudos Orientais e Africano em Londres, concorda com isso.

- A nova geração tem uma consciência muito diferente político do que a geração de seus pais. Elas são cultivadas no período pós-guerra. Eles não têm o mesmo medo que a geração dos pais, quando estão online e são inspirados pelo que está acontecendo no Norte da África, diz Pearce. Mas ele ressaltou que as manifestações, até agora, já vi em Angola tem sido pequena em comparação com as grandes multidões no norte da África.



Publicado: 13/12/2012
Última modificação: 2012/12/12

05/12/2012

ANGOLA: CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E DESIGUALDADE - Que papel para a Noruega?

Começou hoje em Bergen, Noruega, a conferência "ANGOLA: GROWTH, DEVELOPMENT & INEQUALITY - What Role for Norway". A conferência é organizada pelo CEIC (Centro de Estudos e Investigação Ciêntifica da Universidade Católica de Angola) e o CMI (Chr. Michelsen Institute)

Na agenda dos 2 dias da conferência (4 e 5 de Dezembro de 2012), estão a ser debatidos temas tais como: "Condições económicas e sociais - Onde Angola move-se?" (Alves da Rocha), "Crescimento e vida na Angola rural - o que limita o potencial agrícola?" (Fernando Pacheco), "O papel das empresas norueguesas em Angola - Oportunidades, desafios e armadilhas" (Hall Jorn Hanssen), "33 anos e 10 a ir - O futuro da democracia angolana" (Aslak Orre), "Juventude, protestos e eleições - contestada legitimidade política" (Justin Pearce), "Cidadania e a nova Constituição - perspectivas da sociedade civil" (José Patrocínio), "Reconstrução de Angola numa perspectiva comparada" (Ricardo Soares de Oliveira), "Investimentos em infraestruturas - Angola está recebendo o 'valor do dinheiro'?" (Regina Santos e Tina Soreide), "O papel das potências emergentes do sul - lições do Brasil e China em Angola" (Elling N. Tjonneland) e "Cooperação económica norueguesa (e outros) com Angola" (Ingrid Hoem Sjursen).

A OMUNGA aproveitou ainda a oportunidade para manter contactos com diferentes entidades aqui presentes. Nos próximos dias, o coordenador da OMUNGA permanecerá em Oslo (capital da Noruega) para poder partilhar informações sobre a atual situação em Angola no que se refere ao respeito dos Direitos Humanos e ao processo de democratização.

Durante esta conferência, foram exposta a coleção de fotografias da OMUNGA, "Vamos Votar".

Ver fotos https://www.facebook.com/media/set/?set=a.4049533883961.2146579.1450386533&type=1