18/06/2016

PRESIDENTE DA REPÚBLICA É CHAMADO A RESOLVER CONFLITO DE TERRAS NO GOLFE - LOBITO


Cansados de esperar por soluções a nível do município do Lobito e da província de Benguela, os moradores do Bº do Golfe, zona alta do Lobito, em conflito de terras com Nádia Furtado, decidiram escrever ao Presidente da República.

Segundo os moradores, tomaram tal decisão considerando os resultados do último encontro que mantiveram com o governador provincial de Benguela, Engº Isaac dos Anjos onde concluíram que o governador não tenciona reconhecer os direitos desta comunidade. Considerados que estão esgotados os mecanismos locais, aguardam agora pela intervenção do Presidente da República.

Relacionado com o assunto:


Acompanhem a carta naíntegra que deu entrada a 8 de Junho de 2016 na Presidência da República.

FAMÍLIAS DO GOLFE - LOBITO

Ao Exmo. Sr.                                                                                                                                 
Presidente da República da
República de Angola
L U A N D A

ASSUNTO: EXPOSIÇÃO E SOLICITAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOBRE CONFLITO DE TERRAS

Exmo. Sr. Presidente

As terras que hoje se encontram em conflito com a senhora Nádia Furtado,localizadas no Bº do Golfe, na cidade do Lobito, foram usadas para o cultivo pelos nossos avós em 1937. Coma morte dos avós, os nossos pais herdaram as mesmas e continuaram a usar para a mesma utilidade (cultivo), onde tempos depois nós como filhos começamos a tomar controle das terras uma vez que os pais estavam a perder as forças para aquele trabalho e visto que é um direito que nos cabe.

Cultivámos naquelas terras até o ano de 2010 e devido à falta de chuvas tivemos que parar, mas sempre atiravamos sementes e não deixamos de visitar o local uma vez que nos pertence.

Uma vez que já não havia chuvas e tendo em conta o crescimento das familias e velando pela nossa situação social (vivendo em casas de rendas), em 2013 remetemos um documento na administração municipal do Lobito solicitando a legalização daquelas terras para podermos fazer a cosntrução das nossas casas. Como não sabiamos como o processo iria andar na administração, ainda em 2013 solicitámos a ajuda de um senhor com o nome de Mateus Catchama (Motociclista) que depois solicitou também a ajuda de um outro senhor com o nome de Zezito Garcia que veio falar pessoalmente connosco se disponibilizando a nos ajudar a obter os documentos de legalização das nossas terras.

Mais tarde o senhor Zezito explorou-nos “peixes, cabritos, porco e lagostas”, dizendo que erapara entregar ao Governador Provincial de Benguela para acelerar o processo dos documentos,e um valor na quantia de 50.000 kwanzas para continuar com o processo dos documentos. Com o andar do tempo, vimos que o senhor Zezito estava a nos dar muita volta.

Tempos depois sem sabermos o que se passava, deparamos-nos com alguns agentes das forças armadas Angolanas nas nossas terras, e quando fomos questioná-los, os mesmos informaram que quem os colocou no local foi o senhor Zezito para guardarem os terrenos.

Depois de corrermos com os militares no terreno, aparereceram máquinas a terraplanarem o local e deram a informação que foi o senhor Zezito quem os mandou. Então fomos ter com o senhor Zezito que nos informou que aquela área pertencia à senhora Nádia Furtado, funcionária da Administração Municipal do Lobito e por isso colocou lá máquinas para dividirem o local onde uma parte seria para ele em nome de uma familia denomindaGarcia, e outra para a senhora Nádia.

Como vimos que com o senhor Zezito já não havia hipóteses de conseguirmos os documentos de legalização das nossas terras,contactámos um outro senhor com o nome de Cassinda.

O senhor Cassinda, disse não haver problemas em nos ajudar, mas para isso solicitou-nos 15 terrenos, para ele e os seus ajudantes. O senhor Cassinda trabalhou connosco durante 1 ano, e durante aquele periodo,  dele só vimos e ouvimos mentiras, nos aldrabou várias vezes que já podiamos construir sem problemas porque não seriamos mais incomodados pela policia e quando entravamos no local a policia sempre estava lá para nos incomodar.

Durante o tempo que trabalhámos com ele nos explorou um valor total de 66.200,00 Kz, (sessenta e seis mil e dizentos kwanzas) para o seu transporte e compra de tinteiros. Obrigou-nos ainda que tinhamos que preparar alimentação de luxo para melhor ser o trabalho.

Para além dos senhores supracitados, contra as familias envolveram-se outros senhores: Sr. Cunha (colocou uma carcaça de um carro e um contentor, mostrando resistência em tirarsem que a senhora Nádia o autorize), Sr. Glória (colocou a carcaça de um caminhão e um contentor no local), Sr. Luís Varanda (colocou um contentor no Local),  tal como o senhor Cunha, os outros usam o nome da Senhora Nádia Furtado para resistirem em não sairem do local.

Desde 2013 até Fevereiro de 2015, tentámos encontros com o governador provincial de Benguela, e não obtivemos nenhuma resposta; tentámos encontros com a administração do Lobito só nos mandavam acalmar, com a promessa de que a situação seria resolvida, mas os senhores que nos traiam tentavam avançar com a vedação do local.

Em 2015 foi o ano mais duro, visto que a pressão policial na tentavida de nos retirar do local à força e vedarem para a senhora Nádia Furtado aumentou. Os fiscais iam para o local coma a policia acompanhados com facas e catanas para nos ameaçarem a sair do local. Como exemplo, no dia 20 de Março de 2015 fomos surpreendidos com 22 viaturas, onde 10 eram da policia, entre eles DNIC (Policia de Investigação Criminal) e PIR (policia de intervenção rápida), fardados, com várias armas e principalmente com os cães, e começaram logo a amarrar e a espancar, as pessoas que lá se encontravam quer sejam jovem, idosos ou crianças, e pelo menos 7 pessoas foram brutalmente levados pela policia e alguns até sem roupa. No mesmo dia fomos ter com o senhor governador provincial de Benguela e também não fomos bem atendidos.

Devido aos grandes tormentos que a policia e os agentes da ficalização estavam a nos fazer passar e tendo em conta o medo que nos assolava de perdermos as nossas terras, no dia 30 de Março de 2015, batemos às portas de uma associação, explicando a situação e solicitando a sua intervenção, começámos a ser acompanhados e ajudados pela mesma no sentido de chegarmos a uma resolução sem tormentos.

Apesar das dificuldades, com a ajuda dessa associação, conseguimos levar a situação ao governador, conseguimos que a policia deixasse de nos atormentar, conseguimos criar laços com a administração municipal do Lobito. Mas não é o suficiente porque continuam com o plano de darem as nossas terras á senhora Nádia furtado.

A 23 Outubro de 2015, às 10 horas, as famílias foram supreendidaspelos funcionários  da Administração  Municipal do Lobito  e agentes  da  polícia  da 1ºesquadra, 2º esquadra, 3º esquadra 4º esquadra, PM e PIR, com objectivo de  destruir os  pertences  da  comunidade. Os funcionários daAdministração que chegaram  com uma  máquina  para destruir  os  alicerces e materias,   partiram os  blocos, rasgaram  os  sacos  de cimento, derrubaram  os  montes  de  areia e brita, destruiram  as canalizações  de água, levaram  todos  os materias de  construção  dos  mestres e derrubaram  as  cabanas.

EmDesembrodo anopassado,tivemosencontro  na  Administração  Municipal  do  Lobito  no periodo das 16 horas. Estávamosreunidos como  Administrador  Adjunto  pela  área  técnica  para  acertar  questões  ligadasao conflito  de terras  com a senhora  Nádia  Furtado.As famílias tomaramconhecimento dotalhonamentodo terreno, maso Administrador Adjuntopelaáreatécnicadisse que  primeiro  iriam  talhonar e depois  iriam  distribuir  e urbanizar. As famíliasperguntaram porquê ter 30  metros  de  arroamento  e o  Administrador  respondeu  que  é  para  ter  mais  espaço.

Masdetantos  conflitos  solicitams ao ex Govenador,  senhor  Armando  da  Cruz  Neto  que garantiu  que  não  cedeu  nenhum  terreno à  senhora  Nádia Furtado, mas  o Administrador  e  Governador  defendem  que  o  terreno  pertence à senhora  e foi dado pelo Sr. Armando da Cruz Neto. Nóssabemos  que somos  os  herdeiros  deste  terreno  e não  conhecemos a  senhora  Nadia  Furtado. Mascomo  falam que  ela   tem ducumentos e nós  nunca  vimos  esses tais ducumentos?

Na semanasenguinte  ao encontro com o Administrador para a área técnica,as familias  deram  conta  que  o terreno   que  está  em conflito  não  foi  talhonado  e  as familias   ficaram muito  tristes.Depois, as familiasjá tiveram vários  encontros  com o Administrador Alberto Ngongo  e o Governador Isacc  Francisco  Maria  Dos Anjos  e que  até  aqui  não  resultou  em nada.

No dia 02 de junho de 2016 realizou-seum encontro  no Gabinete  do  Governador  com objectivo de  resolver o problemadas famílias, mas  o senhor  Governador  continua a defender  que  o  terreno  pertence  à  senhora Nádia  Furtado, e diz  que  vai  chamar  a Nádia Furtado  para  perguntar se elapretende  ficar  com  os  12 hectar  ou dividir  com as familias  que  reclamam. O Governador disseque  se ela  não  aceitar,  dividir  com as familias, como  as mesmas consideram o terreno como herança, as familias   podem  levar  o caso  no tribunal. Aindaacrescentou  que vai  chamar  a senhora  para  vedar  o terreno  ou colocar  muro  e se ela não conseguir,  o Governador  vai  resolver  de  outra  maneira  e que nem a senhora  Nádia Furtado nem  as  familias  poderão  ficar  naquele  terreno.

Na base do exposto e vendo que ao nível da província não conseguimos qualquer solução, vimos pela presente solicitar ao Exmo. Sr. Presidente da República que interceda no sentido de reconhecer o direito destas 160 pessoas que envolve mulheres, homens, crianças e idosos.

Sabemos que o país vive uma situação de crise e nãopretendemos solicitar ao governo que construa as nossas casas, mas assumimos nós próprios construirmos com os nossos recursos.

Sem outro assunto, subscrevemos em nome das famílias.
Lobito aos 04 de Junho de 2016

ASSEMBLEIA DA OMUNGA ADIADA PARA 25 DE JUNHO


GRUPO DE GESTÃO

CONVOCATÓRIA
ASSEMBLEIA GERAL DE MEMBROS


O Grupo de Gestão da Associação OMUNGA vem pela presente convocar todos os membros da Associação para participarem na Assembleia Geral de Membros a realizar-se a 25 de Junho de 2016 (sábado), a partir das 8 horas, nos escritórios da OMUNGA, Rua da Bolama, casa nº 2, Bº da Luz, Lobito.

Tomando em consideração que a referida Assembleia estava marcada para 12 de Junho de 16 e não se realizou pelo facto de não ter presentes os 50% dos membros, conforme estabelecido no ponto 5 do artigo 17º (Realização da Assembleia Geral) dos Estatutos e de acordo ao mesmo artigo, a Assembleia Geral realizar-se-á 15 dias depois “com qualquer número de membros em uso pleno de seus direitos”.

A Assembleia conta com a seguinte ordem de trabalhos:

8H00
Chegada dos membros e convidados
8H30
Boas Vindas (Assumpta Manjenje)

Eleição da Mesa da Assembleia
9H00
Aprovação da Proposta de Novos Membros
9H30
Apresentação geral do historial e percurso da OMUNGA (José Patrocínio)
10H00
Apresentação do Relatório de Actividades (Nilza Sebastião)
10H15
Intervalo - Café
10H40
Apresentação do Relatório Financeiro (Assumpta Manjenje)
11H00
Aprovação dos Relatórios
11H15
Eleição do Conselho Fiscal e do Conselho Directivo
11H45
Aprovação dos Modelos de Carta de Adesão, Ficha de Membro, Cartão de Membro e valor da cota.
12H00
Intervalo - Almoço
14H00
Futuro e Desafios
15H30
Marcação da próxima Assembleia
16H00
Encerramento

Considerando de extrema importância a participação de todos e a formalização de todos os membros, havendo a possibilidade de haver membros que não estejam disponíveis, partilhamos as propostas do Grupo de Gestão para alguns dos pontos importantes (propostas de membros, corpos sociais e processos). Por favor em caso de indisponibilidade partilhe com o Grupo de Gestão a sua opinião.

Solicitamos ainda que preencha o modelo de adesão e nos disponibilize fotocópia do documento pessoal e duas fotografias tipo passe.
Documentos em Anexo:
1 - Estatuto da OMUNGA
2 – Interpretação dos capítulos I e II dos Estatutos
3 – Proposta de ;Membros
4 – Modelo de Solicitação de Membro
5 – Breve Historial


José Patrocínio


Coordenador

10/06/2016

OMUNGA VAI ORGANIZAR A ASSEMBLEIA DE MEMBROS


GRUPO DE GESTÃO

INFORMAÇÃO
ASSEMBLEIA GERAL DE MEMBROS


O Grupo de Gestão da Associação OMUNGA vem pela presente convocar todos os membros da Associação para participarem na Assembleia Geral a realizar-se a 12 de Junho de 2016 (domingo), a partir das 8 horas, nos escritórios da OMUNGA, Rua da Bolama, casa nº 2, Bº da Luz, Lobito, com a seguinte ordem de trabalhos:

8H00
Chegada dos membros e convidados
8H30
Boas Vindas (Assumpta Manjenje)

Eleição da Mesa da Assembleia
9H00
Aprovação da Proposta de Novos Membros
9H30
Apresentação geral do historial e percurso da OMUNGA (José Patrocínio)
10H00
Apresentação do Relatório de Actividades (Nilza Sebastião)
10H15
Intervalo - Café
10H40
Apresentação do Relatório Financeiro (Assumpta Manjenje)
11H00
Aprovação dos Relatórios
11H15
Eleição do Conselho Fiscal e do Conselho Directivo
11H45
Aprovação dos Modelos de Carta de Adesão, Ficha de Membro e Cartão de Membro
12H00
Intervalo - Almoço
14H00
Futuro e Desafios
15H30
Marcação da próxima Assembleia
16H00
Encerramento



José Patrocínio


Coordenador

04/06/2016

LIÇÃO DE DEMOCRACIA EM BENGUELA: LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS JÁ!


Lobito, 04 de Junho de 2016

NOTA PÚBLICA


É com enorme satisfação e optimismo que a Associação OMUNGA tomou conhecimento de que um grupo de jovens organizou hoje, em Benguela, uma manifestação a exigir a libertação imediata dos 15+2.

De acordo aos cartazes que os cerca de duas dezenas de jovens que se manifestavam pelas diferentes artérias daquela cidade, apelavam ao Tribunal Supremo para que de forma inequívoca, inocentie os jovens activistas presos e condenados num julgamento cheio de atropelos e de assombrações legais.

Nesse sentido, reconhece a coragem destes jovens que, de forma insistente, têm obrigado o sistema a entender e a respeitar o estabelecido na Constituição da República de Angola, no que se refere ao exercício do Direito à Manifestação.

Foi visível o papel responsável dos órgãos policiais que cumpriram com as suas obrigações e assim de forma correta, garantiram o asseguramento dos manifestantes.

Por tudo isto, a OMUNGA reconhece e enaltece o facto de que o Governo Provincial de Benguela, com este acto de entendimento da obrigatoriedade das instituições públicas respeitarem o exercício de todos os direitos pelos cidadãos, ter dado, também, uma lição aos demais governadores provinciais.

O reconhecimento extende-se ao Comandante Provincial da Polícia de Benguela que assim pôde demonstrar que afinal a “polícia é do povo” e que o seu papel verdadeiro ,é o de proteger e não o de reprimir.

Que dos factos ocorridos hoje em Benguela, seja mais uma lição, a partir destas terras das acácias rúbras, de cidadania e de que, afinal, em Angola é possível e obrigatório, respeitar-se a diferença.

Infelizmente, também foi nesta província de Benguela, na Comuna da Capupa, Município do Cubal que, a 25 de Maio de 2016, 3 cidadãos foram mortos e outros 4 ficaram desaparecidos, durante um ataque contra uma comitiva de deputados da UNITA.

A OMUNGA aproveita para clamar junto do Governador Provincial de Benguela e do Comandante Provincial da Polícia Nacional de Benguela, que tudo façam para que realmente um processo de investigação justo e independente seja levado a cabo e que sejam responsabilizados os verdadeiros autores de macabro acto já intolerável em Angola onde pretendemos juntos construir a Angolanidade e a Paz.

A OMUNGA conclui, apelando a todos os governadores provinciais e comandantes provinciais da polícia nacional a seguirem o exemplo hoje assistido em Benguela, com especial enfoque para a governadora de Cabinda que tem publicamente expressado a ideia de que "manifestar é fazer justiça pelas próprias mãos".

A OMUNGA reconhece que a luta de pessoas como Marcos Mavungo tem contribuído para a construção desta mudança em Angola e esperamos que assim também o seja em Cabinda.

  
José Patrocínio



Coordenador

Campanha Solidariedade com as Famílias dos 15+2


Por Uma Angola Livre
LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS JÁ!
Campanha de solidariedade para com as famílias dos 15+2. Compra a tua tshirt ao preço de 1500,00 Kz
As thsirts com o logotipo da campanha Por Uma Angola Livre e com a descrição no lado traseiro Liberdade aos 15+2 Já, estão disponíveis nas cores amarelo, laranja, azul claro e azul escuro e negro, nos tamanhos S, M e L
O Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH) apela liberdade imediata e incondicional dos 15 + 2 activistas
Contacto Luanda: +244 934 730 489
Contacto Benguela +244 913 641 941

02/06/2016

GTMDH: Conferência de Imprensa Sobre a "Ocupação Forçada das Terras das Comunidades do Curoca"


Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH)
                                                           
CONVITE


            Nós, organizações acima referenciadas, no âmbito das suas atribuições e enquanto associações de defesa dos Direitos Humanos, trabalhando na habitação condigna e no acesso à terra, temos a honra de convidar a participar na Conferência de Imprensa sobre" Ocupação forçada das Terras das Comunidades do Curoca na província do Cunene " a  realizar-se na sala Huila do Hotel Trópico dia 3 de Junho de 2016 das 16h00 às 17h00.

Podem acompanhar em directo através da página da OMUNGA no facebook https://www.facebook.com/Omunga.DH/


  
Luanda, aos 01 de Junho de 2016


Contactos:
923 638 017 - André Augusto, SOS Habitat-Acção Solidária
926 478 608 - Domingos Fingo, ACC- Associação Construindo Comunidades




GTMDH: Posicionamento sobre invasão das terras indígenas do Curoca por interesses privados


GRUPO DE TRABALHO DE MONITORIA DOS DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA


O GTMDH-Grupo de Trabalho de Monitoria de Direitos Humanos é uma plataforma de organizações da sociedade civil angolana que trabalham para divulgação, promoção, protecção e monitoria dos Direitos Humanos em Angola partindo dos princípios universais dos Direitos Humanos.

Neste âmbito o GTMDH tomou conhecimento do esbulho de terras no município do Curoca, província do Cunene, República de Angola na qual, de acordo com as informações disponíveis, 39 comunidades estão a ser desalojadas ilegalmente de uma extensão de 80 Km de cumprimento e 40 Km de largura, não para o interesse público, mas, pelo que tudo indica, para interesses particulares.   

De acordo com testemunhos recolhidos no local, estão a ser afectadas as cumunidades de Kavango, Milenda, Kandjove, Ovipaka, Eyawo, Okatewe, Namatanga, Hano, Kaoloka, Mayova, Kanuambandje, Kamukúwa, Tchitapawa, Kambelona, Nombelo, Noholongo, Kahalala, Mulavi, Tyiheke-Tchomokati, Mukekete, Eume, Kitetembo, Konongunga, Komudi, Námbua, Ngeyaúla, Munhandi, Mutily, Luenge, Mudingalala, Tyiolofeu, Oufina, Komikambo, Viwayanga, Haykoty, Kononkhanga, Tchikuahepo,Tyiakiti e Tyikoto.

Entre as várias consequências advindas deste esbulho de terra, destacam-se as seguintes:

1. No dia 03 de Dezembro de 2015, algumas comunidades foram surpreendidas com a entrada de tractores nas suas terras, derrubando e queimando diversas árvores, incluindo algumas com valor medicinal, frutífero e alimentar, provocando a devastação do pasto e a destruição de cemitérios. Tudo isso ocorreu ante o olhar passivo de agentes da Polícia Nacional.
  
2. O acto de esbulho está a ser acompanhado de ameaças de prisões a cidadãos inocentes e de detenções ilegais, levadas a cabo por agentes da polícia nacional. A título de exemplo, no dia 08 de Abril de 2016, (06) seis membros das comunidades foram arbitrariamente detidos por agentes da polícia nacional, quando pretendiam negociar com os responsáveis da empresa sedeados no estaleiro.

3. Pressionada pelas organizações da Sociedade, a Procuradoria Municipal ordenou liberdade provisória para os membros das comunidades, no dia 12 de Abril de 2016.

4. Usurpação de terras daquela dimensão e nos modos em que ela está a decorrer, põe em risco de extinção os seguintes subgrupos étnico: os ovahimbas, ovandimbas, ovatyavikwas, ovandongoenas, ovankhumbis e ovangâmbwes, estimados em, aproximadamente,  2.129 famílias e 10.675 crianças;

5. Com a perda dos meios de sobrevivência das comunidades, (gado bovino, gado caprino, gado suíno, ovelhas, burros e cavalos) e ante a inacção das autoridades competentes, as comunidades poderão recorrer à força com o fim de assegurar o próprio direito à terra e isto poderá causar consequências graves, tais como revoltas comunitárias, suicídios, represálias, perda da auto-estima, etc

           Diante de tudo isso, as organizações subscritoras deste documento apelam:
  
1. Ao Executivo angolano:

a) Que tome as medidas urgentes e necessárias no âmbito dos compromissos assumidos com a ratificação dos tratados internacionais de Direitos Humanos, tais como a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, entre outros.

b) Que proteja os direitos das comunidades do Curoca tendo em vista o disposto no ordenamento jurídico interno, nomeadamente os artigos 15º, n.º 2 da CRA (sobre os direitos de uso, acesso à terra, liberdade física e segurança pessoal), 21.º, alíneas b), c), d), e) e h) e 37º nºs 1 e 3.

2.    À Assembleia Nacional:

a) Que crie uma comissão de inquérito para avaliar a situação dos Direitos Humanos nas localidades acima citadas e que agende um debate sobre a usurpação das terras comunitárias que ocorre no país, uma vez que, antes da existência do Estado as comunidades já existiam;

b) Que os deputados pelos círculos provinciais acompanhem melhor as preocupações das comunidades que representam na Assembleia Nacional pois, só assim, estarão a justificar a sua representatividade.
  
3.    Ao poder Judicial:  

Que paute pela independência jurisdicional efectiva, agindo imparcialmente e punindo os autores morais e materiais das injustiças sociais, económicas, ambientais e culturais que ocorrem naquela parcela de Angola.

4.    À Comunidade Internacional:

a) Que continue a monitorar a situação dos Direitos Humanos em Angola, bem como o grau de cumprimento das recomendações endereçadas ao Estado angolano pela Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos da União Africana e pelo Conselho dos Direitos Humanos através do mecanismo da RPU-Revisão Periódica Universal das Nações Unidas.

           
Pelas Organizações subscritoras:
ACC - Associação Construindo Comunidades

ADRA – Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente

AJPD – Associação Justiça, Paz e Democracia

AJUDECA – Associação Juvenil para o Desenvolvimento
Comunitário de Angola

Associação MÃOS LIVRES

ANGOLA 2000   

Associação OMUNGA

FORDU – Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário

FMJIG – Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade no Género

MBAKITA – Missão de Beneficência Agropecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologias e Ambiente

MOSAIKO - Instituto para a Cidadania

MWENHO – Associação de Mulheres vivendo com HIV/SIDA

NCC – Centro Nacional de Aconselhamento

OSISA/A – Fundação Open Society- Angola

PMA – Plataforma Mulheres em Acção

RNP + Angola – Rede Nacional de Pessoas vivendo com VIH/SIDA

SCARJOV – Associação de Reintegração de Jovens e Crianças à
Vida Social

SOS Habitat – Acção Solidária