13/08/2016

“AFINAL NÃO HÁ LEI”, DIZEM AS COMUNIDADES DO CUNENE QUE RESISTEM À INVASÃO DAS SUAS TERRAS


“AFINAL NÃO HÁ LEI” DIZEM AS COMUNIDADES DO CUNENE QUE RESISTEM À INVASÃO DAS SUAS TERRAS

No encontro com as comunidades do Cunene, o GTMDH através da ACC e da OMUNGA, pôde-se perceber como se tem vindo a desrespeitar de forma flagrante os direitos ancestrais das comunidades, no uso das suas terras.

Em nome da diversificação e do combate à fome e à pobreza, políticas de ocupação das melhores terras do Cunene avançam com a protecção policial contra os interesses das comunidades autótones.

O exemplo flagrante deste assalto, tem a ver com o mega projecto denominado por projecto "Agro-Industrial Horizonte 2020", a ser imposto na área do Curoca, na província do Cunene, no sul de Angola, que pretende ocupar 80 mil hectares de terra fértil, sem a negociação prévia nem o consentimento das populações locais.

A visita ao terreno que para além do encontro com as comunidades, organizou um Quintas de Debate em Ondjiva e terminou com um encontro com o Vice-governador do Cunene, a seu pedido.

Um dos membros das comunidades, respondendo à nossa questão do que pretendiam fazer perante os factos do projecto não estar a respeitar as decisões do encontro de 25 de Julho com os representantes da Casa Civil que foram de que as máquinas não poderiam ultrapassar os limites definidos pelas comunidades até novas decisões baseadas nas negociações com as comunidades, declarou que estão “a esperar um bom resultado em colaborar pacificamente só perante a fala, não haver problemas, mas se está indo, está indo e não tem resposta, mesmo assim se chega a um passo de haver armas, podem ir lutar com as armas. Afinal vemos que não há lei, só existe coisa que impressiona o povo, não tem mais a paz de dizer que estes são pessoas (,,,)

As comunidades pensam que “a lei é aquela que dá pacificamente a alegria, a paz à comunidade, se na verdade não existe isso da lei pacificar e tem aquilo de exigir da comunidade aquilo que não quer, então essa exigência vai trazer a luta!”

Continuando, acrescentaram “o sonho não é de fazendas, não sonham com fazendas aqui nesta terra! Se essas forem as fazendas antigas do colono, não querem, mas se insistirem que esta fazenda tem que sair, com a união de todos, não vão descansar, não vão ter tréguas, vão avançar mesmo que esta fazenda não vai sair. Se insistirem nisso, vão pensar noutras alternativas que qualquer dia haverá luta e dessa luta onde haverá resultados!”

O GTMDH, representado nesta visita apelou às diferentes instituições que tomassem em conta que a paz é o objectivo e portanto tomar todas as medidas que provoquem o agravamento deste conflito para um beco sem saída. A diversificação da ecónomia e o combate à fome e à pobreza é o investimento nas populações autótones facilitando-lhes o acesso à terra fértil, à água e aos meios e técnicas sustentáveis de produção.

Reportagem de Domingos Mário
Curoca, 10 de Agosto de 2016

12/08/2016

POPULAÇÕES DO CUNENE ENFRENTAM AS MÁQUINAS: NÓS NÃO VAMOS SAIR DAQUI PORQUE ESTA TERRA NÃO-NOS FOI DADA POR NENHUMA PESSOA! ESTA TERRA QUEM NOS DEU É DEUS!


A OMUNGA e a ACC, representando o GTMDH fizeram uma visita de acompanhamento ao Curoca, província do Cunene. Estiveram ainda na comitiva o Diretor Executivo da OHI e um membro dos “15+2”.

A visita deveu-se ao facto de que, a 25 de Julho, uma delegação da Casa Civil reuniu-se com aquelas comunidades e deixou uma decisão de que as máquinas do Projecto privado "Agro-Industrial Horizonte 2020", não poderiam voltar a trabalhar fora do perímetro já demarcado até novas decisões. Entretanto, os tratores voltaram a tentar devastar as terras das comunidades e foi que, a 5 de Agosto, um grupo de 10 mulheres se opôs obrigando que o gerente, Sr. Miguel, do referido project,o dialogasse com as mesmas.

Infelizmente o diálogo não foi ameno e o referido gerente ameaçou as comunidades dizendo que as máquinas iriam continuar a trabalhar porque não tinha recebido nenhuma ordem em contrário e porque precisaria em Setembro de fazer a sementeira.

Perante esta atitude, o GTMDH ouviu as comunidades (10.08.2016), realizou um Quintas de Debate na manhã de 11 de Agosto e teve um encontro com o Vice Givernador do Cunene na tarde deste mesmo dia.

O importante é que as autoridades irão exigir que as máquinas do projecto não voltem a trabalhar fora do referido perímetro para além de, representantes da Comissão do governo provincial que acompanha este processo, das comunidades e do referido projecto, tomem contacto no terreno dos devidos marcos a partir dos quais não podem mais, as máquinas avançar, sendo estes, defenidos pelas comunidades.

Um dos membros das comunidades, nas suas declarações, afirmou “Nós não vamos sair daqui porque esta terra não-nos foi dada por nenhuma pessoa! Esta terra quem nos deu é Deus (...)

Os nossos pais, os nossos avós, os nossos bisavós, todos morreram nesta terra.

Quando chegaram começaram a destruir alguns cemitérios, estragou cemitérios, estragou muitas coisas e aqui, querem-nos retirar daqui!”

Acompanhe as declarações de Kaicoewa Tchipofwe


Reportagem de Domingos Mário 

07/08/2016

RUFINO, O MENOR MORTO NAS DEMOLIÇÕES DE WALALE, ESTÁ NA MORGUE DO MARIA PIA

Foto de O País

Na tarde de hoje, 7 de Agosto, uma equipa da Sociedade Civil, composta por membros da OMUNGA e da SOS HABITAT-ACÇÃO SOLIDÁRIA, visitaram o Bairro Walale que está a ser demolido desde 3 de Agosto de 2016.

Durante a visita puderam constatar que o menor de 14 anos, morto por agentes do Posto de Comando Unificado (PCU) durante a demolição de cerca de 200 casas inacabadas do Bairro Walale, chama-se Rufino Marceano António.

Segundo a família, os agentes depois de terem morto a criança a tiro, ontém 6 de Agosto, levaram o corpo sem dizer nada e, hoje, a família foi informada pela policia de que o corpo encontra-se na morgue do Hospital Maria Pia. A família de Rufino, prevê realizar o funeral amanhã, 8 de Agosto.

Hoje de manhã, os moradores do Bairro Walale receberam uma notificação da Sociedade de Desenvolvimento da Zona EconómicaEspecial Luanda-Bengo (ZEE-EP) a informar aos moradores de que têm 15 dias para demolirem as suas próprias casas, findo o prazo a ZEE irá “proceder à demolição compulsiva”, uma situação que está a preocupar os moradores.

Amanhã, parte dos moradores do Bairro Walale, irá se ocupar do funeral do menor Rufino Marceano António e outros irão marchar até à Administração de Viana em protesto contra a demolição do bairro. Os cartazes serão cópias da notificação que a ZEE-EP deu aos moradores.

A SOS HABITAT segundo o seu coordenador,  Rafael Morais, irá contratar um advogado para a família do menor Rufino para que a justiça seja feita. Muitos moradores disseram à equipa da OMUNGA e SOS HABITAT, que possuem aquela terra há mais de 50 anos e construíram ali as suas casas já há muito tempo,  muito antes de surgir a ZEE-EP.

Pela SOS Habitat
Rafael Morais
Pedro Narciso

Pela OMUNGA
Jesse Lufendo

Redator: Jesse Lufendo
Revisão: José Patrocínio
Vídeo retirado de Estevão Kachiungo Kachiungo (facebook)


O USO CONSUETUDINÁRIO DAS TERRAS PELAS COMUNIDADES E OS IMPACTOS PELA SUA ALIENAÇÃO COERSIVA EM ANGOLA, SERÁ DEBATE NO KWANHAMA


A Associação OMUNGA e a ACC, enquanto membros do Grupo de Trabalho e de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH), em parceria com a OHI e com o apoio da OSISA, irão realizar mais uma sessão do QUINTAS DE DEBATE.

Desta feita, será realizada a 11 de Agosto de 2016, pelas 9 horas, na sala da Administração Municipal do Kwanhama, Província do Cunene, sob o tema “O USO CONSUETUDINÁRIO DAS TERRAS PELAS COMUNIDADES E OS IMPACTOS PELA SUA ALIENAÇÃO COERSIVA EM ANGOLA”.


A entrada é livre e todos estão convidados. Pode-se ainda acompanhar em directo online através do link Https://omunga.caster.fm

06/08/2016

ACTIVISTAS PRESOS NO LOBITO PODEM SER ACUSADOS DE “MELIANTES E ENVOLVIMENTO EM DROGA”

Activistas do Movimento Revolucionário de Benguela e dos "15+2" com o Director da OMUNGA 
no Governo Provincial de Benguela, quando pretendiam ter um encontro com o Governador (07.07.016)

INFORMAÇÃO URGENTE
ACTIVISTAS PRESOS NO LOBITO PODEM SER ACUSADOS
DE “MELIANTES E ENVOLVIMENTO EM DROGA”

Os activistas Avisto Botha, Euclides Lucas, Amaro Justino Quintas e Valeriano Kussuma, ligados ao Movimento Revolucionário de Benguela, continuam detidos desde o dia 4 de Agosto de2016, ao fim da tardem no bairro 2º Chimbuila, na parte alta da cidade do Lobito.

Avisto Botha foi detido na sua residência, enquanto que Baleriano Kussuma, vizinho de Botha, foi preso quando se encontrava a lavar a sua motorizada. Já Euclides Lucas e Amaro Justino Quintas, foram detidos quando estavam a jogar basket junto à escola do bairro.

As detenções envolveram agentes da polícia da 3ª e 4ª esquadras e 2 viaturas que se aproximaram a grande velocidade e disparando balas reais. Todos foram levados para a unidade da 4ª esquadra onde pernoitaram e na manhã de 5 de Agosto foram transferidos para as instalações dos Serviços de Investigação Criminal do Lobito, onde se encontram até ao momento.

Ainda não prestaram declarações mas foram contactados pelo Procurador que, segundo informações dadas por outros cidadãos, ter-lhes-á dito de que são acusados de “serem meliantes e estarem envolvidos em drogas”. Têm já passado a ter contactos com as famílias.

Já a 5 de Agosto, a OMUNGA denunciou que as perseguições aos activistas continuavam. Foi assim que agentes da polícia fardados e à civil foram à residência de Ricardo Francisco Pedro Pataca, também no Bairro 2º Chimbuila, junto à escola 17 de Setembro, por volta das 14 horas, tendo apenas encontrado as crianças que se preparavam para ir para a escola.. Nessa altura, arrombaram a porta do quarto do activistas e revistaram tudo sem qualquer mandato, nem a presença de adultos. Os agentes da polícia voltaram ainda à residência por volta das 17 horas.

Informado do ocorrido, o pai do activista, Sr. Francisco Kissonde Pataca terá se deslocado à unidade da 4ª esquadra para saber dos factos, onde manteve contacto com o comandante da unidade. De acordo às informações, o comandante terá proferido ameaças contra o activista.

Já por volta das 23 horas, o pai do activista terá conversado telefonicamente com o referido comandante e informando que o Ricardo Pataca se encontrava na residência e então terá desafiado para que a polícia aparecesse naquela altura, o que não aconteceu até ao rpesente momento.

Os agentes da polícia não voltaram à residência do activista Ricardo Pataca mas o mesmo teme que possa ser preso na via pública e por isso mesmo sente-se ameaçado.

Perante os factos, a OMUNGA está extremamente preocupada com esta onda de perseguições e detenções de activistas e apela para a liberdade imediata dos activistas presos e o fim do amedrontamento dos activistas.

Lobito, 5 de Agosto de 2016
José Patrocínio

Director Executivo

05/08/2016

ONDA DE PERSEGUIÇÕES E DETENÇÕES ARBITRÁRIAS DE ACTIVISTAS E DEFENSORES DE DIREITOS HUMANOS EM BENGUELA


DECLARAÇÃO URGENTE

A Associação OMUNGA e a OHI tomaram conhecimento que a 4 de Agosto de 2016, 4 jovens ligados ao denominado Movimento Revolucionário do Lobito foram detidos por agentes da polícia e pessoas à civil, no princípio da noite.

O caso ocorreu junto da escola primária do 2º Tchimbuila, na zona alta da cidade. De acordo às informações duas viaturas e pessoas a pé (suspeitas de ser da segurança do Estado) aproximaram-se a alta velocidade e a fazer tiros. Declaram ainda que os agentes são da 3ª e 4ª esquadras da polícia do Lobito.

Desta acção foram detidos os activistas Amaral Simão, Lucas Cassoma e o M2, enquanto o activista Avisto Botha foi detido na sua residência, na mesma altura.

Na manhã de sexta-feira (05.08.2916) os activistas foram transferidos da 4ª esquadra para os Serviços de Investigação Criminal do Lobito onde já foram ouvidos pelo procurador e onde permanecem detidos até ao momento. Não há ainda qualquer contacto com os detidos nem tão pouco informações sobre a acusação que pesa sobre os mesmos.

Entretanto, na noite de quinta-feira, alguém que se intitulou ser militar tirou fotografias à casa do activista “Prata” sem qualquer autorização.

Os activistas do referido Movimento Revolucionário do Lobito continuam a queixar-se que ainda durante a sexta-feira, os mesmos foram perseguidos.

Por outro lado, a viatura da Organização Humanitária Internacional (OHI) que apoiou José Marcos Mavungo aquando da sua visita a Benguela, continua detida na Unidade Operativa de Trânsito de Benguela desde o passado 23 de Julho, altura em que também 23 activistas que se encontravam na viatura e o motorista foram detidos, sendo libertos já à noite daquele mesmo dia. Os mesmos dirigiam-se para o Liceu de Benguela, local programado para a concentração de uma manifestação para exigir medidas concretas contra a crise do país e proibida pelo Governador Provincial de Benguela.

O comandante Provincial da Polícia, de Benguela, ao telefone, justificou ao Director Executivo da OHI de que a referida viatura teria sido detida por transportar “pessoas não apropriadas”.

A Associação OMUNGA e a OHI preocupadas com o agravar da situação de perseguição e detenção de activistas e defensores dos Direitos Humanos, apelam e exigem o seguinte:

1-       Que seja posto fim à perseguição, ameaça e detenções de activistas e defensores de Direitos Humanos, especificamente os cidadãos ligados aos Movimentos Revolucionários do Lobito e de Benguela;
2-       A libertação imediata dos activistas comumente conhecidos por Amaral Simão, Avisto Botha, Lucas Cassoma e M2;
3-       A entrega imediata da viatura da OHI, da carta de condução do motorista Venâncio Francisco Maliengue e 15 mil Kwanzas que se encontravam no tabelier da viatura aquando da sua detenção.

Lobito, 5 de Agosto de 2016

José António M. Patrocínio

Director Executivo (OMUNGA)
+244 913 641 941

João Misselo da Silva

Director Executivo (OHI)
+244 912 216 127





01/08/2016

CIDADÃO AGUARDA HÁ 14 ANOS POR TERRENO DA ADMINISTRAÇÃO DO LOBITO


Bento Adriano, cidadão do Lobito, anda há 14 anos à espera por solução da parte da Administração Municipal do Lobito em relação à cedência de um terreno.

Na altura, Bento Adriano procedeu à aquisição de terreno para a construção de uma habitação, localizado no Bº do Compão, no Lobito. Com as devidas autorizações, procedeu aos devidos pagamentos junto do banco. Para seu espanto, quando pretendia iniciar a sua construção viu que outro cidadão também se intitulava proprietário da mesma parcela.

Foi aí que iniciou todo este processo de espera. Recorreu inicialmente à Administração Municipal do Lobito que assumiu o erro e comprometeu-se em ceder um novo terreno. Esperando por tal solução, decidiu recorrer ao Governo Provincial de benguela e também ao Tribunal Provincial do Lobito.

Em âmbas instituições, foi-lhe dada razão e obrigaram a Administração a resolver definitivamente o problema. Só que tal não aconteceu.

Desesperado, Bento Adriano recorreu à 10ª Comissão da Assembleia Nacional. Infelizmente nada mudou. Decidiu então recorrer à Associação OMUNGA que por sua vez endereçou cartas novamente ao Administrador Municipal do Lobito e ao Governador Provincial de Benguela, sem no entanto haver qualquer resposta.

Tomando em conta a mudança de Administrador do Lobito, Bento Adriano voltou a contar a Administração. Para o seu espanto, Bento Adriano deu conta que no seu processo havia sido introduzido um documento em como o mesmo já teria recebido um terreno no Bº do Golfe, o que não corresponde à verdade.

Posteriormente foi-lhe prometida uma parcela também na zona alta do Lobito, no Bº do Golfe, área em conflito entre várias famílias e a Sra. Nádia Furtado. Por último foi-lhe sugerido um terreno na zona da Hanha do Norte (a 25 Km do Lobito) ou na zona dos Cabrais, área onde estão a pretender instalar os desalojados das chuvas de 2014. Estas áreas para além de se situarem muito distantes da cidade do Lobito, não têm condições de habitabilidade, como serviços de saúde, de educação ou de transporte.

Já cansado, Bento Adriano decidiu então recorrer ao Presidente da República do qual aguarda resposta.

Imagem de Alberto César