06/01/2012

O MEDO - Apresentação de Mia Couto

Tomando em conta a qualidade do texto de Mia Couto sobre o "medo", decidiu-se partilhá-lo aqui (retirado do youtube), para reflexão:
Como merecido, enquadramos a não menos actual exposição de Mia Couto, "Os Sete Sapatos Sujos". E porque achamos que tem tudo a ver, decidimos misturar aqui o discurso de Mike Prysner, sobre a guerra do Iraque. O "medo" que nos impingem apenas serve àqueles que pretendem que tenhamos "medo". Vamos acabar com o "medo" e estender as mãos pelas muralhas do desconhecido. Abrir os braços e recebermos em nossa casa, o irmão que se veste de diferença!

05/01/2012

PROIBIDO OUVIR ISTO NO PAÍS DO PAI BANANA DE MCK


Em 2003, MCK, então com 22 anos, conferiu ao movimento rap em Angola extraordinária notabilidade política e social, em parte devido a uma intervenção assassina da guarda pretoriana do presidente José Eduardo dos Santos.

A 26 de Novembro do mesmo ano, soldados da guarda presidencial amarraram e arrastaram o lavador de carros Arsénio Sebastião “Cherokee”, 27 anos, para a água, no embarcadouro do Mussulo, em Luanda. Afogaram-no, ignorando os pedidos de clemência da multidão que circulava pelo local. Que crime Cherokee teria cometido para merecer execução pública e sumária.

Os efectivos da Unidade de Guarda Presidencial (UGP) surpreenderam Cherokee a cantarolar “A Téknika, as Kausas e as Konsekuências” de MCK, também conhecida como o “Sei  Lá o Quê, Uáué”, uma crítica acintosa ao governo de Dos Santos. Mataram-no imediatamente para que servisse de lição a todos.

O álbum de MCK era uma produção improvisada, clandestina (underground), distribuída por vendedores ambulantes. Os candongueiros, que fazem circular o povo por esta cidade de engarrafamentos intermináveis, amplificavam a curiosidade sobre o álbum pela regularidade com que tocavam a música para que os passageiros ganhassem consciência social através da música. É também nesta cidade de Luanda, onde a maioria não tem emprego formal e dedica tempo bastante para lamentar as suas malambas, que MCK tomou a dianteira em atacar os inqualificáveis abusos de poder como causas do mal-estar da sociedade.O artista rimava também contra o espírito de corrupção dos próprios cidadãos que preferiam adular os mesmos líderes políticos que os têm sujeitado à opressão, à miséria e à falta de educação, em troca do sonho de uma vida fácil. Este continua a ser o pesadelo da sociedade angolana.

Passados oito anos, “Proibido Ouvir Isto” é a nova proposta discográfica de MCK, com 15 faixas. Um trabalho mais estilizado e amadurecido, com líricas mais polidas e o mesmo espírito de revolta social. Diplomado nos meandros da sobrevivência social, MCK narra, através da batida, três elementos fundamentais da realidade actual: aA corrosão dos valores morais na busca obsessiva de dinheiro; o abuso de poder e de confiança e a falta de visão comum sobre o destino do país.

Em dueto com Paulo Flores, MCK interpreta uma nova versão de “Nzala” (fome), de Elias dya Kimuezo, que combina acústica, violino e a fala rapper, numa ode à criança com fome. É uma mensagem de amor, um apelo à solidariedade para com as crianças desta imensa Angola que precisam tanto de um pão como de uma mão cheia de afecto.

Numa outra faixa, com Bruno M, MCK revisita o drama da juventude dos musseques para quem o crime parece ser das poucas opções de realização na vida. É uma viagem pelas transformações ideológicas e da economia política angolana, pelos sistemas prisional e de justiça que discriminam e desumanizam os excluídos da sociedade. MCK denuncia também a manipulação da realidade angolana: “Biografias apagadas/ Jornalistas comprados/ E ai daqueles que se atreverem a enfrentar o mercenarismo político/ Mas ai de mim se não viver como um verdadeiro crítico deste cenário político/(…) Sacrifica-se a maioria pelos caprichos de uma minoria (…)”.

Na faixa “O País do Pai Banana” MCK ataca quem se empoleira “eternamente” no poder e já sem discernimento para gerir a realidade: “Também quero a paz no prato, dignidade e paz no prato./  Prefiro morrer a tiro do que morrer a fome, irmãos./ A disparidade é enorme, vivemos presos nesta armadilha, condenados a sermos escravos de três famílias./ Tudo é deles, do Talatona à Ilha, os diamantes são deles, o petróleo é deles, a imobilária é deles/ (…) para nós só temos o Zango e o Panguila./ O patrão é o colono, na terra do pai banana”.

MCK compõe, assim, o seu ritmo contra o novo-riquismo emergente  dos actos de rapina e pilhagem dos recursos do Estado, que definem o modo de governação  e o estilo de vida das famílias reinantes. Insurge-se contra a mentalidade neo-colonial e de claro desprezo para com o sofrimento do povo que anima a acção e o obsessivo apego ao poder por parte destas famílias. Este, afinal, será o legado de três décadas de reinado, trágico, do nosso “Pai Banana”. O músico profere a sua sentença: “Só temos uma opção/ Ou acabamos com a corrupção/ Ou a corrupção acaba connosco/ No país do Pai Banana.”

Numa infusão de reggae, o Ikonoklasta (também conhecido por Brigadeiro Mata Frakuz, ou simplesmente Luaty Beirão) e o MCK produzem, na opinião do autor, a melhor faixa do álbum, e a mais corrosiva das líricas (“A Bala Dói”). Luaty Beirão tem sido um dos principais impulsionadores dos protestos de rua contra o regime de José Eduardo dos Santos e uma das principais vítimas da sua brutalidade.  É também a manifesta consciência de um jovem da classe dominante que troca o conforto do sistema para se juntar aos seus companheiros mais desfavorecidos. Fá-lo em irmandade e comunhão de ideais por uma Angola melhor e mais justa.

O pai de Luaty, João Beirão, foi um dos mais próximos colaboradores do Presidente nos anos 90 e seguintes, na qualidade de director-geral da então poderosa Fundação Eduardo dos Santos (FESA).
“Sempre nos prometem comida/ Mas só nos dão porrada/ Nosso estômago até já grita/ Mas eles têm babas que cospem balas e a bala dói/ A bala bói, a bala dói [refrão] (…) /Palavras estão ‘bora minadas/ Esperança ficou mortelada [mutilada]”. Os jovens, com bom senso de humor, enquadram e desmontam o famoso discurso do Presidente em que não assume qualquer responsabilidade pela crescente pobreza em Angola porque, dizia José Eduardo dos Santos: “Quando nasci, já havia pobreza.” MCK lembra, assim, porquê esses “Tigres de papel sentem medo do Luaty”.

Em “Vida no Avesso”, MCK relata os paradoxos da política angolana e o desespero de muitos que acreditam apenas em uma intervenção divina para que o falso santo e a sua seita de malfeitores sejam “excomungados” da consciência nacional e devolvam a liberdade ao povo. “A chuva tem estatuto e mais garra que a oposição/ Desmascara as burlas das obras de um milhão (…)/ Jesus Cristo volta já/ Teu povo está a chorar (…)/

Com este disco, MCK retoma o seu lugar cimeiro como um dos artistas da mudança de mentalidade e da formação de uma nova consciência social em Angola.

Fonte: http://makaangola.org/2011/12/mck-no-pais-do-pai-banana/

02/01/2012

O BATIK E A ESPERANÇA!

Como em postagem anterior informámos, as oficinas de Batik têm vindo a acontecer um pouco por algumas das paragens do Lobito. Muhammede Fofana vindo da Gâmbia tem tentado transmitir a força do Batik e os seus sonhos!
A Dulce comentou na referida postagem. "Os miúdos são giros, mas afinal o que é o Batik?" (não me lembro se são estas as palavras que ela utilizou, mas este foi o sentido que tirei!) Então achámos que deveríamos trazer mais algumas informações sobre esta arte. Apresentamos aqui dois pequenos vídeos da actividade do Fofana no ex. Centro 16 de Junho (B.º da Lixeira/27 de Março) a 19 de Dezembro.
Aproveitamos também esta oportunidade para partilhar convosco algumas curiosidades ligadas a esse dia.
Lembram-se de termos aqui apresentado o encontro de MCs que vieram de Luanda com os jovens da 16 de Junho? (http://quintasdedebate.blogspot.com/2011/12/jovens-do-16-de-junho-continuam.html) Lembram-de da ídeia dos jovens organizarem um Natal OKUPAPALA e convidar os detentores do poder? Pois foi o que os jovens fizeram. Por isso nesse dia houve um almoço para todos os moradores e os convidados. Quem foram os convidados que estiveram lá?

Nada mais, nada menos que o Governador Provincial de Benguela. De forma simpática e respeitadora, respondeu ao convite dos jovens. Foi lá pela primeira vez, ainda por cima a convite dos jovens. Muito correto da parte do Governador.
A OMUNGA aproveita esta oportunidade para elogiar a actitude do Governador. Mais. O Governador fez a promessa de que todos terão emprego, na futura refinaria do Lobito. Prometeu ainda que todos terão casas e deu orientações para poibirem-se imediatamente todas as obras em construção dentro do perímetro considerado ser parte do espaço do 16 de Junho. Também prometeu fazer obras nos balneários. E isto cumpriu porque no dia seguinte, o Administrador Municipal do Lobito foi ao 16 de Junho, para fazer levantamentos aos balneários para orientar o início das obras, segundo nos pareceu.
Então o Batik juntou-se à esperança dos jovens da comunidade do 16 de Junho.
Ainda neste dia realizou-se uma partida de futebol entre os jovens anfitriões e novamente os jovens da Damba Maria. Não sei do resultado, por isso pesquisem outras fontes.....

Aproveitamos ainda para postar umas fotos das oficinas que o Fofana, muçulmano, desenvolve nas instalações da OMUNGA para todos os interessados. O pessoal anima-se, faz as suas tshirts.
Quando realcei o muçulmano, foi propositado. Pois a estada do Fofana pelas terras lobitangas, ajuda a estabelecerem-se laços que sobrepõem-se às diferenças. Aprendemos a estarmos humanamente connosco! Partilhem connosco:

31/12/2011

Entrevista com Dj Pele que Orientou a Venda do Novo CD (PROIBIDO OUVIR ISTO) de MCK em Benguela no dia 18 de Dezembro de 2011 na Rádio Morena.

OKUPAPALA EM DEZEMBRO: OFICINAS DE BATIK

Muhammed Fofana, natural de Dipa Kunda e residente em Banjul, Gâmbia, é o facilitador de oficinas de Batik dentro do OKUPAPALA. De 26 anos de idade, Fofana está entre nós desde 16 de Dezembro. A sua vinda tardia deveu-se ao facto de ter esperado cerca de 30 dias em Bissau para que lhe fosse concedido o visto de entrada em Angola.

Esteve durante 3 dias com os jovens do ex. Centro 16 de Junho e neste momento orienta jovens nas instalações da OMUNGA.

A 24 de Dezembro, fez-se uma pequena exposição na praia, na ponta da Restinga, onde se pôde mostrar um pouco do que foi feito nas oficinas.


Para além de trabalhar com os jovens, Fofana também já fez amigos. É o caso do Marcelo que inclusivamente postou a foto a baixo no seu blog, com a legenda "eu e o meu novo amigo".

30/12/2011

ACTIVISTAS CONTRA ENERGIA NUCLEAR NO JAPÃO

Depois dos vários desastres nucleares, especialmente o último ocorrido no Japão, mais se têm levantado as vozes contra o uso da energia atómica. No Japão, um movimento cívico tem estado bastante activo nesta luta. Devemos tirar lições.
O texto que transcrevemos vem em Le Monde.fr: http://www.lemonde.fr/m/article/2011/12/23/ryota-sono-veut-liberer-le-japon-du-nucleaire_1621985_1575563.html


Ryota Sono veut libérer le Japon du nucléaire


Rétrospective 2011 / Les anonymes, nouveaux héros de l'histoire en marche. – Avec la catastrophe de Fukushima le 11 mars, ce jeune militant d'extrême gauche a trouvé une nouvelle cause. Depuis, Ryota Sono est à la tête de toutes les manifs antinucléaires. Rencontre avec un idéaliste à l'énergie inépuisable.

Par Philippe Mesmer

SI LA CONTESTATION ANTINUCLÉAIRE au Japon devait avoir un visage, ce pourrait être celui de Ryota Sono. A 30 ans, le natif de Tokyo, militant de nombreuses causes et très engagé à la gauche de la gauche, a acquis une réelle dimension depuis le séisme et le tsunami du 11 mars qui ont fait 20 000 morts et disparus. Le drame a été suivi par la crise nucléaire de la centrale de Fukushima-Daiichi. Classée en avril au niveau 7 de l'échelle des événements nucléaires et radiologiques (INES), le même degré de gravité que celui attribué à la catastrophe de Tchernobyl, elle a bouleversé la vie de milliers de Japonais et condamné durablement une partie du territoire. Si tout se passe bien, il faudra au moins trois décennies pour surmonter ses conséquences.

La crise a également rouvert le débat sur le nucléaire dans le monde. Plusieurs pays, comme l'Allemagne ou la Suisse, ont choisi de renoncer à cette source d'énergie. Au Japon, la discussion peine à s'imposer, même si la tragédie de Fukushima a mis en évidence la dangerosité de cette technologie dans un pays soumis à fort risque sismique.

Mais, confronté à un puissant lobby réunissant compa-gnies d'électricité, industriels, hauts fonctionnaires, voire certains universitaires, le tout avec une certaine complicité des médias, les autorités se gardent d'adopter une position tranchée sur la question. Le 13 juillet, Naoto Kan, alors premier ministre, évoquait une baisse progressive de la dépendance au nucléaire, mais devait tempérer son affirmation quelques jours plus tard. Il a cependant obtenu que tous les réacteurs du Japon soient soumis à une double série de tests de résistance avant d'être relancés. De telles opérations prennent du temps et, actuellement, seuls 8 des 54 réacteurs du Japon sont encore en fonctionnement. Si aucun n'est relancé, tous seront arrêtés au printemps prochain.

Cela signifie-t-il que la sortie du nucléaire va finalement s'imposer au Japon ? Pas sûr. Le gouvernement de Yoshihiko Noda, successeur de Naoto Kan, reste ambigu puisqu'il continue de promouvoir l'exportation de l'énergie atomique made in Japan. Pourtant, tourner la page du nucléaire dans l'archipel est urgent. C'est en tous les cas ce que pense Ryota Sono, qui fut l'un des premiers à se dresser contre la forteresse nucléaire japonaise.

Suite au tsunami du 11 mars, la centrale de Fukushima-Daiichi, sur la côte nord-est du Japon, est victime d'un accident nucléaire qui sera classé de niveau 7, un degré de gravité égal à celui attribué à la catastrophe de Tchernobyl. AFP/AIR PHOTO SERVICE

Le 12 mars, "après avoir mis un masque pour se protéger des retombées radioactives", il organisait un premier rassemblement devant le siège de Tepco, la Compagnie d'électricité de Tokyo propriétaire et opérateur de la centrale de Fukushima-Daiichi. Ce jour-là, une vingtaine de personnes répondent à son appel. "Je n'ai pas voulu fuir Tokyo car je suis né ici. Et la colère contre le gouvernement était trop forte", témoigne-t-il. La volonté s'appuie également sur un constat : "Si Tokyo est victime des radiations, la ville est aussi coupable. C'est là que se concentrent les richesses, et les centrales qui lui fournissent son électricité se trouvent loin, à Fukushima notamment, qui en subit aujourd'hui les conséquences."

Pour Ryota Sono, la lutte contre le nucléaire est un nouveau combat. "J'ai pris conscience de l'importance de cette question au moment de l'accident, raconte cet ancien salarié du monde de l'édition devenu freeter - contraction de free et d'Arbeiter qui qualifie les jeunes vivant de petits boulots et adhérent entre autres du syndicat Freeter Union. J'ai compris à quel point nous étions tous concernés."

AVANT DE S'ENGAGER CONTRE LE NUCLÉAIRE, il militait pour de multiples causes, notamment contre le racisme ou pour défendre les travailleurs précaires. "Je l'ai croisé pour la première fois il y a deux ans dans une manifestation contre les bases américaines au Japon, raconte Kazuyuki Tokune, un ancien salarié aujourd'hui engagé dans l'action sociale, qui avoue une certaine admiration pour le jeune homme. Il est toujours prêt à agir, se range systématiquement du côté des plus vulnérables contre les plus forts."

L'engagement de Ryota Sono est absolu, politique, alimenté par une volonté de voir partir "immédiatement" les politiciens au pouvoir, pour "mettre en place un gouvernement d'inspiration socialiste".

Communicative, sa détermination lui a permis de mobiliser des gens pour maintenir une présence quotidienne devant le siège de Tepco. "Je voulais venir manifester tous les jours, mais ce n'était pas possible. D'autres se sont joints au mouvement et nous nous sommes relayés." Histoire d'entretenir la flamme autour d'un bâtiment blanc et noir surmonté d'une impressionnante antenne, aujourd'hui protégé par des cars chargés de policiers, qui lui donnent une allure de bunker.

Outre ces rassemblements, Ryota Sono contribue avec d'autres mouvements à l'organisation de manifestations. Même si le jeune militant juge les Japonais "trop lents à se mobiliser", elles attirent des gens qui, parfois, manifestent pour la première fois. Depuis le mois de mars, pas une semaine ne passe sans une ou deux manifestations – à Tokyo ou ailleurs – à l'appel d'organisations comme Gensuikin, les syndicats Doro-Chiba ou Zengakuren, voire Tanpopo-sha, une association née en 1989, quand le Japon s'inquiétait de la contamination radioactive des produits alimentaires provoquée par l'accident de Tchernobyl.

Alimentée par la crainte des retombées radioactives, motivée par les sondages qui indiquent que plus des deux tiers des Japonais souhaitent aujourd'hui une sortie progressive du nucléaire et encouragée par les engagements de personnalités comme les écrivains Kenzaburo Oe ou Haruki Murakami, la mobilisation n'a cessé de s'intensifier avec des pointes : 15 000 personnes ont participé le 16 avril dans le quartier tokyoïte de Koenji à une "manifestation supermassive contre les centrales nucléaires". Plusieurs milliers l'ont fait le 11 juin. Ils étaient 40 000 le 19 septembre, toujours à Tokyo. Ces chiffres sont loin de ceux enregistrés en Allemagne par exemple, mais pour le Japon, où la tradition revendicative semble oubliée depuis les années 1970, ils apparaissent élevés.

Des policiers en combinaison anti-radiations interviennent le 17 avril dans la zone d'exclusion autour de la centrale nucléaire. AFP/STR

Le 11 septembre, pour marquer les six mois de la catastrophe, 3 000 personnes se rassemblaient à Kobe (ouest) pour écouter l'un des rares parlementaires critiques du nucléaire, Taro Kono. A Tokyo, quelque 1 500 personnes bravaient un impressionnant dispositif policier pour littéralement encercler le ministère de l'économie, du commerce et de l'industrie (METI), l'administration en charge du nucléaire. Elles brandissaient des banderoles rappelant notamment qu'un "autre Fukushima peut arriver". Le même jour, quatre jeunes d'une vingtaine d'années commençaient une grève de la faim qui devait durer dix jours. Des militants en profitaient pour dresser une tente près du ministère, qui n'a pas été enlevée et qui entretient toujours la contestation en reprenant les slogans des "indignés" du monde entier, comme ce "Occupy Kasumigaseki" (le quartier des ministères à Tokyo) qui fait écho au désormais fameux "Occupy Wall Street".

A chaque fois, Ryota Sono est là. Toujours en première ligne, à soutenir les jeunes grévistes de la faim ou, armé d'un haut-parleur, à lancer les slogans du genre "Arrêtez les centrales !" ou à appeler les compagnies d'électricité et le gouvernement à assumer leurs responsabilités dans l'accident nucléaire. Pour lui, "les autorités refusent d'admettre la culpabilité de l'archipel, pourtant à l'origine d'une contamination qui ne se limite par à son territoire".

Il déploie une énergie fiévreuse, étonnante pour un jeune homme à l'allure si frêle. Difficile d'obtenir cinq minutes tranquilles pour lui parler. Souvent vêtu de noir ou de kaki, il virevolte, inquiet quand il apprend des arrestations, nombreuses certains jours comme le 11 septembre, où il y eut des heurts avec de militants d'extrême droite, enflammé quand il se brise la voix à haranguer les manifestants ou à lancer ses messages aux fonctionnaires réfugiés dans leurs ministères ultraprotégés.

SON REGARD FERME, quelque fois dur, parfois assorti d'une pointe de tristesse, et son sourire rare témoignent de sa détermination et de son impatience. Son omniprésence lui vaut d'être très surveillé par la police. Le 23 septembre, il est arrêté au cours d'un rassemblement. Selon le réseau No-Vox, auquel il appartient, "l'intervention brutale des policiers a eu lieu après un ordre "Arrêtez-le !" qui visait directement Ryota Sono". L'avocat qui a pu le rencontrer après son arrestation a rapporté des blessures au visage et des bleus sur tout le corps. Il a été libéré le 5 octobre après une mobilisation qui a gagné la France, le jeune homme entretenant des liens notamment avec l'association DAL (Droit au logement).

Cela n'a pas refroidi son ardeur et, le 11 décembre, pour les neuf mois de la catastrophe, il était en tête du cortège des 1 000 personnes qui ont à nouveau défilé à Tokyo à proximité du siège de Tepco et du METI. Rien ne semble pouvoir arrêter celui qui se dit admiratif du militantisme pratiqué par le Nouveau Parti anticapitaliste, le NPA français. Il a toujours un mot à lancer pour critiquer les puissants. Il reproche également aux médias japonais de ne pas parler du mouvement antinucléaire. "La plupart des chaînes de télévision et des grands journaux sont sous contrôle des milieux d'affaires et du gouvernement", déplore-t-il.

En marge de son action, il a trouvé le temps d'écrire un livre titré Boku ga Toden mae ni tattawake ("Pourquoi je me suis dressé devant Tepco"). Sur la couverture, on le voit, debout de dos, devant le siège de Tepco. Une sorte de David prêt à affronter le Goliath du nucléaire. "Dans cet ouvrage, explique-t-il, j'ai voulu condamner le discours officiel adopté depuis le début de la crise et axé sur la mobilisation de tous pour un objectif unique, en l'occurrence la reconstruction, un discours qui ne supporte pas la contradiction. C'est un peu comme pendant la seconde guerre mondiale avec le gouvernement militariste d'union nationale (kyokoku itchi), quand tout le monde devait agir pour la victoire."

"Et puis, ajoute-t-il, je voulais laisser un témoignage de tout ce que j'ai vécu et qui a été fait jusque-là. Par exemple, je me souviens que, dans les premiers jours de la crise, quand j'allais dans les magasins, j'ai souvent eu le sentiment de vivre comme en période de guerre."

29/12/2011

REPRESSÃO CONTRA MANIFESTANTES NO BURKINA FASO

Também em Burkina Faso, os cidadãos lutam pelos seus direitos. Como em todo o mundo, o governo reage com a repressão policial. A Rede No Vox, da qual a OMUNGA faz parte acompanha todo este movimento e desenvolve acções de solidariedade. Acompanhem alguns dos email trocados durante esta acção, dentro da Rede No Vox:

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2011/12/5 annie
Éclaircissements

Sana de la CAB et Touré de ASPDROL ont été apporter leur soutien aux manifestantEs puis avec des membres de l'association sont partis collectivement à la garde républicaine pour négocier la récupération du matériel...

Il faut lire, je pense que pour la suite c'est le chef du village de Balkouy , membre de l'Abhab qui anime les réunions de mobilisation.

Concernant le palais , il s'agit évidemment du palais de justice devant lequel les manifestantEs se sont rendus pur exprimer leur solidarité entière à la délégation.

A bientôt

Annie

05/12/2011 12:07, no-vox a écrit :

Chers amiEs

La situation se dégrade ..nous devons envoyer des messages de soutien au mouvement et surtout si possible téléphoner au responsable politique des ambassades du Burkina dans nos pays respectifs .

Annie

-------- Message original -------- Sujet: Bonsoir

Date : Sun, 4 Dec 2011 19:18:11 +0000 (GMT)
De :
Répondre à :
Pour :
Bonsoir à tous (tes) juste pour vous remercier du soutien que vous avez manifesté à l'égard des populations en lutte au Burkina.Sachez que le 30 novembre,à 20h GMT, la Compagnie républicaine de sécurité(CRS) a dispersé les manifestants par le jet de plusieurs dizaines d'obus de gaz lacrymogène. Elles a emporté près d'une centaine d'engins des manifestants dans leur caserne.

Le pire est que la police a choisit de lancer ses gaz au moment ou les manifestants musulmans étaient en prière.Ils étaient sur la 3ième prosternation sur un total de cinq que compte la prière du soir quand la première explosion a tonné.Tous ont fuit et laisser sur place leurs chaussures et leurs engins.Tous emportés à la caserne.Jeudi 1 décembre certains ont pu obtenir leurs engins.Jusqu'à l'heure où je vous écris,d'autres n'ont toujours pas eu les leur.Les grosses marmites que les manifestants utilisaient pour préparer le repas sur place sont toujours entre les mains de la CRS.

Les menaces ont pris une forme dramatique puisque c'est le chef du village de Balkouy (Siège de l'ABHAB) qui a pris le relais.Il a convoqué le camarade ZOUNGRANA Mohamadi ce mati à 10h à son palais ou il avait pris le soin de mobiliser un grand nombre de personnes pour être témoins de ce qu'il ferait faire au camarade.Heureusement,le camarade ne s'y est pas rendu et a envoyé une délégation de 4 militants de l'association pour représenter.N'étant pas la cible,ceux-ci ont été purement et simplement renvoyés avec pour injonction de faire venir le camarade Zoungrana terré dans sa cachette.

Les rumeurs font état de la décision royale de faire affecter le camarade en poste d'enseignant dans le village et l'obliger à quitter le village.Ce que les jours avenir nous éclairera.

Mes salutations militantes

ZOUMADAS
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-------- Message original -------- Sujet: Re : [Novox-secretariat] Fwd: Dernières nouvelles du Burkina


Date : Wed, 7 Dec 2011 13:17:29 +0000 (GMT)
De :
Pour : no-vox@no-vox.org

bjr a toutes et a tous membre de reseau novox

ce matin dans les environt de 10h que Mahamadi ma contacté pour m'informer de sa fuites vers a la gendarmerie de bogodogo il dit ceci j'etais en classe dans mon etablissement et 03 hommes venus de la part du Chef de village de basky est venu m'appeler que le Chef a besoin de moi. j'ai refusé et ils ont voulu m'enmener par force mais grace a l'intervention de mes collegues j'ai pu me retirer de mon ecole pour la gendarmerie.

ainsi je me suis rendu a l'ecole de Mohamadi^pour m'impregner de certaine realités.

un des collegues de MAHAMADI dit ceci oui ils etaient venus a 03 et Mohamadi a registé et l'un d'eux dit ceci s'il refuse de repondre au chef il va repondre au ciel( le tue poure qu'il reponde a lau-dela).Apres ces dires ils sont reparties et revenir a 05 accompagnés du petit frere du Chef pendent ce temps mohamadi a deja quité les lieux . et devant mois le frere du chef a voullu ce justifier comme quoi il sont pas venus pour arreter mohamadi. surplace ont trouvait l'inspectrice de l'enseignement madame la directrice de l'ecole ,les autres collegues de Mohamadi, quelques membres de l'association et de delegues venus des secteurs 28 29 30.

presentement mohamadi est entre les mains du syndicat pour l'accompage a deposer sa pleinte et pour mieu apprehender le probleme. je vous enverrai des informations nouvelles des que possible sur cette afferaire puisque nous suivons pas a pas et s'il d'ici les choses ne se decantent pas, il aurra l'itervention des structures de la societé civile de ouagadougou qui menent des luttes sociales sur le terrain(reaction de novox bf).

cordiallement sana

--- En date de : Mer 7.12.11, a écrit :

De: no-vox
Objet: [Novox-secretariat] Fwd: Dernières nouvelles du Burkina
À:
Date: Mercredi 7 décembre 2011, 9h25

C'est enfin clair !!!

amitié militante et solidaire

Annie

-------- Message original -------- Sujet: Dernières nouvelles du Burkina

Date : Tue, 6 Dec 2011 18:54:22 +0000 (GMT)
De :
Répondre à :
Pour : no-vox

Bonsoir à toutes et à tous!

Merci ANNIE pour la précision.Effectivement,les associations membres du réseau no-vox a travers les premiers responsables: TRAORE Seydou, SANA Seni et ZOUNGRANA Mohamadi ont accompagné les manifestants pour la récupération des engins.

Pour ce qui concerne le chef,il est de mèche avec la municipalité.Il tente d'intimider les militants de l'ABHAB pour qu'ils cessent les manifestations.En réalité,c'est par lui que les transactions et ventes clandestines de parcelles se font. Logiquement,si la justice va faire sont travail,il sera cité parmi les principaux coupables de malversation. Sachez que la chefferie traditionnelle au Burkina se démarquent difficilement des régimes en place.

Si Annie parvient à venir au Burkina,elle prendra la température de la situation. La destruction du domicile du Camarade Zoungrana suivie de son expulsion bien orchestrée par le chef et les siens est prévue pour le dimanche 11 decembre 2011. Signalons que le camarade ZOUNGRANA a saisi le Mouvement Burkinabè des Droits de l'Homme et des Peuples pour sa cause et celle des militants de l'ABHAB qui risquent le même sort que lui si cette honteuse action se produisait.

Ce qui est important, le moral du camarade est intact et les militants de l'ABHAB plus que jamais déterminés à poursuivre la lutte pour l'obtention d'un logi. Mes salutations militantes.

ZOUMADAS
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A l'appel du DAL et du réseau No-Vox, des images du rassemblement de solidarité devant l'ambassade du Burkina Faso à Paris mercredi 14 décembre !


Contre les déguerpissements, la lutte continue !!