06/12/2011

OKUPAPALA: A INTERVENÇÃO DA POLÍCIA NA CATUMBELA (3.ª parte)

A interferência da polícia nacional na realização do que já pode ser considerado com o grande movimento de intervenção cultural da periferia, o OKUPAPALA, marca claramente o desrespeito pelos direitos fundamentais.

O OKUPAPALA demonstrou como as artes e culturas são verdadeiros instrumentos de expressão e de intervenção urbana. Englobando as diversas tendências, foi-se marcando no espaço nacional e internacional.

OKUPAPALA é o movimento socio-cultural interventivo que já ninguém pode travar.

Acompanhem mais alguns momentos vividos a 30 de Novembro na Catumbela onde se pretendia realizar o show de Hip Hop:

05/12/2011

POLÍCIA IMPEDE SHOW DO OKUPAPALA NA CATUMBELA (2.ª parte)

Transcrevemos aqui a segunda parte do registo do ambiente que se sentiu na Catumbela, aquando da intervenção da polícia nacional para impedir o show de Hip Hop.

Pedimos a atenção que as imagens não são da melhor qualidade. Pretendemos apenas transmitir o ambiente vivido na altura. Acompanhem:

INTERVENÇÃO DA POLÍCIA CONTRA OKUPAPALA NA CATUMBELA

Dentro do OKUPAPALA, 1.º ENCONTRO INTERNCAIONAL DE ARTES E CULTURAS URBANAS, tentou-se organizar pela segunda vez, a 30 de Novembro, o grande show de Hip Hop alternativo.

O primeiro show foi impedido a 12 de Novembro de 2011. Nessa altura, conseguiu-se alterar de forma "camuflada" o local para um espaço descampado perto do B.º Do Santa Cruz. Mesmo com a presença de agentes da polícia, conseguiu-se avançar com o concerto.

Naquela altura, todo o trabalho de preparação do OKUPAPALA envolveu o representante da secção municipal da cultura do município da Catumbela. À última da hora, a Administração Municipal da Catumbela solicitou que se formalizasse por escrito. Por esse motivo, a OMUNGA enviou uma carta a 10 de Novembro. A resposta da Administração Municipal veio mais tarde argumentando que não deu resposta por ter recebido a devida carta tardiamente. Depois da primeira intervenção da polícia. Nessa altura, endereçou-se uma nova carta a remarcar para 29 e 30 de Novembro. Não houve resposta.

De forma mentirosa, a polícia argumenta que a administração não tem conhecimento da actividade. Envolveu-se na acção policial, primeiro o dito comandante municipal da polícia da Catumbela e posteriormente agentes do comando municipal da polícia do Lobito. Os dois municípios intervieram com a polícia para impedir o espectáculo da Catumbela. Afinal quem manda e quem está interessado na proibição destas actividades? Acompanhem:

OKUPAPALA CONTOU COM A PRESENÇA DO POETA FRIDOLIM

O poeta e declamador FRIDOLIM KAMOLA KAMWE esteve também presente no grande show de Hip Hop que se realizou a 09 de Dezembro no ex. Centro 16 de Junho.

Este espectáculo enquadrou-se dentro do OKUPAPALA: 1.º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ARTES E CULTURAS URBANAS:

OKUPAPALA: HIP HOP NO 16 DE JUNHO

O grande show de Hip Hop que se realizou a 09 de Dezembro no ex Centro 16 de Junho, dentro do OKUPAPALA contou com a presença de vários convidados vindos de Luanda.

Num ambiente animado, os jovens transmitiram as suas mensagens que se misturaram com as reclamações dos jovens moradores desta comunidade que vivem em tendas há mais de 4 anos. Acompanhem:

OKUPAPALA: SHOW DE HIP HOP NO 16 DE JUNHO

A 09 de Dezembro, realizou-se mais um show de Hip Hop dentro do OKUPAPALA - 1.º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ARTES E CULTURAS URBANAS. O ex. Centro 16 de Junho, localizado no B.º da Lixeira/27 de Março foi o local escolhido para esta actividade.

No ex. Centro 16 de Junho encontra-se uma comunidade de mais de 200 pessoas. Aqui encontramos desde há mais de 4 anos, uma dezena de tendas e outras modestas construções. Uma comunidade de jovens que viviam nas ruas do Lobito, foram para aqui transferidos dentro de um projecto da Administração Municipal do Lobito com a promessa de virem a ter casas. A luta destes jovens pela sua dignidade e pelo seu chão, ainda continua.

O grupo "FAMÍLIA ETERNA", foi um dos representou o Hip Hop do Lobito. Acompanhem:

04/12/2011

O 3 DE DEZEMBRO – ESPAÇO DE LIBERDADE PARA O POVO TRANSFORMADO EM LOCAL DE VIOLÊNCIA PELAS AUTORIDADES ASSOCIADAS A MARGINAIS.

A Manifestação foi convocada por três organizações da sociedade civil, nomeadamente, Fundação 27 de Maio, Movimento Associativo Revolucionário e Movimento Estudantil Revolucionário e partiria de três pontos de bairros de Luanda, Cazenga, S. Paulo e Avô Kumbi, confluindo na Praça 1º de Maio.

Os motivos são variados, desde a reivindicação de justiça para o caso do 27 de Maio, até à luta contra a pobreza, a falta de acessos a bens fundamentais, a denuncia da corrupção, enfim, os “problemas que nos puseram com eles”.

Polícias fardados e a paisana, bem como lúmpens bem nutridos e identificados, investiram pesadamente sobre os manifestantes nos pontos de concentração, bem como no local de convergência, a praça 1º de Maio. A promessa de Bento Bento foi executada, não através da proibição formal à Graciano, mas por via da repressão brutal.

Todos os locais que confluíam para a Praça da Independência estavam cercados e todas as pessoas que faziam qualquer movimento identificando-se com os protestos intimidas e espancadas.

Polícias e marginais usaram todos os métodos repressivos ao seu alcance para impedir a manifestação. No Cazenga, a dispersão causou o pânico generalizado entre os manifestantes, havendo-se registados inúmeros desmaios e pessoas feridas. No bairro S. Paulo foram espancadas e presas sete cidadãos: Sozinho, Campos, Tomé, Américo Vaz, Lacerda Vandunen, Adão Ramos e mais um elemento de nome desconhecido. Adão Ramos, dirigente do Bloco Democrático – BD_ é portador de deficiência. Em seu relato sublinha “. Eu (com os meus cerca de 90 kg) fui retirado da cadeira de rodas por 2 cahênches e atirado para o carro patrulheiro da Polícia com toda força possível (…….), e seguiu-se a cadeira de rodas para cima de mim mais as palavras discriminatórias que, a emoção e a dor não me deixam transcreve-las agora”.

Um grupo de cerca de 30 elementos que se encontrava nas imediações da Praça Primeiro de Maio foi atacado pelas costas por civis bandidos “os cahênches” – gente de respeitável compleição física – já rodados nesses casos que, inclusive, lançaram água misturada com gindungo – substância ardente – para os olhos dos pacíficos manifestantes. Alguns cidadãos clamaram por “Socorro” à Polícia que cercava o local. A resposta foi, mais cacetada e porretada, sobretudo na cabeça, o que desorientou mais os manifestantes. Entre os mesmos encontrava-se Carbono, activista preso em 3 de Setembro passado que teve que receber assistência hospitalar. Lisa Rimel da Human Right Watch, encontrava-se no local, havendo pedido ajuda a jornalistas locais.

Já no rescaldo dos acontecimentos João Baruba, Secretário Nacional para Organização e Mobilização, foi espancado quando se dirigia para sua viatura que se encontrava há cerca de 1 km da Praça Primeiro de Maio, nas imediações da Casa 70, rua da Liberdade.

Dezenas de cidadãos receberam tratamento hospitalar.

O activista e jornalista Rafael Marques, bem como os Jornalistas Coque Mukuta da Rádio Despertar e Isabel João do Novo Jornal, encontravam-se há cerca de 500 metros do local da concentração, no IMEL, Instituto Médio de Economia de Luanda, dentro da viatura do primeiro, quando foram abordados por um Policia de Transito que os reconheceu e prendeu-os imediatamente. Foram apenas libertos muito mais tarde com intervenção da Comandante da Polícia de Luanda.

Ainda não se consegue aquilatar com propriedade, nem o número de manifestantes, nem o número de pessoas agredidas e feridas, nem o grau das mesmas. Percebe-se que foi o acto mais numeroso de protesto, havido após o fim do conflito militar.

Os nefastos acontecimentos do 3 de Dezembro são gravíssimos e não se compara à repressão havida em 3 de Setembro último, o que mostra a disposição das autoridades de responderem com maior repressão e selvajaria aos protestos dos cidadãos pacíficos. Mais uma vez, ficou demonstrado que a iniciativa da violência partiu da Polícia e de indivíduos civis sem escrúpulos, vulgo lúmpens, em conjugação perfeita com a Polícia Nacional.

 A táctica de dispersão pela máxima violência, consagra o diálogo proposto pelo Presidente da República. Nenhum relacionamento com a sociedade civil em protesto, a juventude em particular, após o discurso do reconhecimento da incapacidade do Executivo lidar com a diferença de opinião, resultou em conversa civilizada, nomeadamente, as prisões rápidas de 22 de Outubro, o impedimento de realização de conferências, de actos culturais no Lobito, etc.

O Executivo deve explicações claras ao povo sobre

- que razões levaram a dispersar e de forma repressiva manifestações pacíficas e prender cidadãos sem culpa formada?

- qual o significado dessa aliança espúria entre a Polícia Nacional e a lumpenagem?

- Porque razão são perseguidas pessoas conhecidas, referidas em artigos apócrifos do Jornal de Angola,  espancadas e presas?

- Em que país, finalmente, estamos nós? Para onde nos pretende levar o Executivo?

É evidente que é ingénuo pensar que o crescimento da repressão do Executivo vai obrigar a parar a onda de protestos, perfeitamente justificada pela degradação da situação do país e da falta de capacidade para o regime mudar, quer na sua relação com os soberanos governados, quer dando solução à pobreza, ou combatendo a corrupção, ou melhorando as oportunidades para a juventude, ou aperfeiçoando os padrões de justiça. Em boa verdade, nem “machados cortam o pensamento”, nem “o vento se trava com as mãos”.

Contactos:

Carbono - 244921009600

Adão Ramos – 244923300144

João Baruba - 244931114582
Fonte: Bloco Democrático