21/10/2016

COMITÉ DO MPLA É CONSTRUÍDO ENQUANTO SINISTRADOS RESISTEM EM TENDAS DESTRUÍDAS



21.10.2016
COMITÉ DO MPLA É CONSTRUÍDO ENQUANTO SINISTRADOS RESISTEM EM TENDAS DESTRUÍDAS

A OMUNGA, tem vindo a acompanhar com enorme preocupação o processo de assentamento de parte das populações sinistradas das "chuvas" de Março de 2015.

Não querendo referenciar-nos, nem questionar, sobre as responsabilidades das consequências dessas mesmas "chuvas", queremos, no entanto, solicitar os devidos esclarecimentos sobre factos que observamos quase dois anos depois de tal desastre.

Centenas de pessoas foram transferidas do Kamulingue (a cerca de 15 Km da cidade do Lobito), nas suas tendas para o agora denominado "bairro dos Cabrais", na expectativa de que fossem-lhes construídas habitações, a mais de 20 Km da cidade do Lobito.

Pelo agora observado, aquela população de mais de 2000 pessoas (dados disponibilizados pelo Sr. Administrador Municipal Adjunto da Catumbela) se encontra abandonada. Em tendas degradadas, sem abastecimento de água permanente e em quantidade, sem apoio de alimentação, sem assistência médico-medicamentosa, sem saneamento básico e, resumindo, sem ver respeitada a sua dignidade.

Estas populações viveram melhores condições no assentamento provisório do Kamulingue onde, por resposta a um enorme apelo de solidariedade e também a um aparente jogo de fachada política, provocou a mobilização do país por essa causa.


Agora nós questionamos: onde estão os bens, materiais e equipamentos recolhidos dessa tão grandiosa e tão divulgada campanha?

Não queremos relembrar dos enormes problemas que aquela população que fora motivo para tantos chamados de solidariedade, vive atualmente.

O que mais nos preocupa é que,  com recurso a dinheiros públicos se negociou a cedência daquele terreno. Aquele terreno do Estado foi pago com dinheiros do Estado que é, no final de contas, dinheiro dos cidadãos. Foram os cidadão que pagaram a um privado para que disponibilizasse um espaço de terra, presumivelmente propriedade do Estado, conforme consta na Constituição. A questão é a seguinte: O Estado, os cidadãos no geral, disponibilizaram os seus recursos para se adquirir terra para tão somente se instalar outros cidadãos em condições desumanas?

Por isso o Estado, ou as instituições que em nome do Estado fizeram esta negociação e "aquisição", devem prestar contas a todos nós cidadãos sobre a lógica, as vantagens e os atuais ganhos de tal despesa e procedimento. Afinal o Presidente da República sublinhou bastante sobre a crise do país, no seu último discurso na Assembleia Nacional sobre o Estado da Nação.

Se o processo transparente sobre a referida aquisição de terras torna-se eminente como sendo o primeiro questionamento a fazer-se em relação a este processo de assentamento de populações sinistradas, outros questionamentos se levantam.

Das 375 habitações previstas serem construídas (informações recolhidas no local), constatamos atualmente que apenas 6 já têm cobertura em telha, 35 possuem a armação metálica para a cobertura, sem estarem cobertas, cerca de 200 estão em fase de levantamento de paredes (11 fiadas de blocos) e as demais são apenas as bases.

Não denotamos a presença de trabalhadores de qualquer empresa, nem a presença de materiais e equipamentos. As populações informam que as obras estão paradas há bastante tempo sem terem sido avisadas das razões nem das perspectivas, enquanto aquelas populações resistem à chuva desprotegidas por tendas já em muito mau estado. Aproveitamos assim para solicitar os esclarecimentos de que aquelas populações necessitam em relação às razões da paralisação dos trabalhos de construção das habitações e as perspectivas.

Infelizmente não pudemos constatar no local, a placa que devia existir, para informar sobre: Nome do Projecto, Proprietário do Projecto, Empresa Responsável pela Construção do Projecto, Empresa Responsável pela Fiscalização do Projecto, Código/Nº do Projecto, Orçamento do Projecto, Data de Início e de Finalização da Construção do Projecto. Por falta dessa informação, sentimo-nos obrigados a ter que recorrer ao Exmo. Sr. Governador para que nos possa disponibilizar tal informação.


Por último, surpreendeu-nos o facto de ser bastante visível a existência no local de uma estrutura, construída de raiz e aparentemente inaugurada a 9 de Abril de 2016, pelo Sr. 1º Secretário Provincial de Benguela do MPLA, que coincidentemente é também o Exmo. Sr. Governador Provincial de Benguela, que serve de "Comité de Acção do Partido MPLA dos Cabrais". Nesta conformidade, somos impulsionados a questionar Sua Exª sobre o seguinte: Cabe esta estrutura no projecto de urbanização e assentamento das populações sinistradas das chuvas de 2015? Qual a origem dos recursos para a construção desta estrutura? Porque razão, enquanto as habitações não foram construídas, tão logo foi erguida esta estrutura?

20/10/2016

SINISTRADOS DAS CHUVAS DE 2015 RECLAMAM DO ABANDONO EM QUE SE ENCONTRAM (video)



20.10.2016
SINISTRADOS DAS CHUVAS DE 2015 RECLAMAM DO ABANDONO EM QUE SE ENCONTRAM

Devido às chuvas de Março de 2015, milhares de pessoas dos municípios do Lobito e da Catumbela viram as suas casas destruídas e os seus bens perdidos, para não falarmos das dezenas de mortos.

Depois de parte dessa população ter sido colocada num acampamento provisório, em tendas, a cerca de 15 km da cidade do Lobito.

Foram criadas várias condições, para além das tendas, no que se refere, por exemplo, a um sistema de abastecimento de água canalizada por gravidade a partir de tanques centrais abastecidos por cisternas. Foi ali instalado um sistema de latrinas, em que até os chineses estiveram a construir. Havia também um sistema de recolha de lixo, com reservatórios perto das tendas que depois eram transladados para contentores maiores nos limites do acampamento que por sua vez eram recolhidos por viaturas para as lixeiras da cidade. Havia um sistema de abastecimento alimentar, de assistência médica e medicamentosa, enfim, foram criadas as condições mínimas de respeito à dignidade humana.

Infelizmente, estas populações foram de novo transferidas nas suas tendas para uma outra zona, ainda mais distante (pouco mais de 20 km), conhecida por "Cabrais" onde foram depositados à sua sorte à espera da construção das suas habitações.

A caminho de 2 anos e com as chuvas já a caírem, as associações AJS, CRB e OMUNGA decidiram fazer a monitoria da situação.

Por isso, endereçaram cartas às Administrações do Lobito e da Catumbela a informar dum encontro de auscultação que realizariam naquelas comunidades a 19 de Outubro, depois de uma visita que efectuaram ao local a 14 de Outubro de2016.


Foi assim que a 19 de Outubro, o Administrador municipal adjunto da Catumbela, a responsável pela área social da Catumbela, o administrador comunal do Biópio, o responsável da zona, representante da polícia nacional, sobas e séculos, acompanharam este encontro organizado com as populações.

A situação é preocupante conforme constam dos relatos dos cidadãos que não se calaram de agradecer os esforços iniciais do governo mas a exigir de novo a devida atenção.

Eis aqui alguns aspectos apresentados pelos cidadãos no referido encontro. A OMUNGA promete trazer a público mais informações referentes a esta matéria.


Vídeo e fotografias de Domingos Mário
Texto de José Patrocínio

17/10/2016

SINISTRADOS DAS CHUVAS DE 2015 NO LOBITO VIVEM AINDA CONDIÇÕES PRECÁRIAS




17.10.2016
SINISTRADOS DAS CHUVAS DE 2015 NO LOBITO VIVEM AINDA CONDIÇÕES PRECÁRIAS

Iniciaram as chuvas a nível do Lobito e Catumbela. A caminho dos dois anos após as calamidades das chuvas que dizimou bairros e ceifou vidas humanas, as associações AJS, CRB e OMUNGA decidiram avaliar as condições em que se encontram os sinistrados e que se encontram localizados nos Cabrais.

No dia 14 pelas 08 horas, as 3 organizações, visitaram o local e registaram as seguintes constatações.

Casas: estavam previstas a construção de 375 casas, atualmente apenas 6 foram concluídas, 35 em fase de cobertura, aproximadamente 200 casas estão com 11 fiadas de blocos, e as demais são apenas bases. As obras encontram-se paradas, e as famílias não receberam nenhuma informação sobre o arranque e muito menos sobre o ponto de situação das obras, o que as mesmas contam é que as empresas que lá se encontravam a fazer a construção das casas desapareceram e tudo ficou como está.

Água: segundo os moradores, estavam melhor no local anterior (onde foram alojados) porque havia abastecimento de água constantemente e a mesma era distribuída em tanques, que depois eram canalizados nas torneiras. Atualmente tem havido muitas falhas pelo que no início das chuvas, foram obrigadas a utilizarem a água das chuvas para matarem a sede. Atualmente a cisterna de água só vem duas vezes por semana, e as pessoas são obrigadas a correrem com os seu baldes para adquirem o precioso líquido. E para além disso, uma das cisternas encontra-se avariada.

Iluminação: todas as ruas têm postes de iluminação, mas nenhum poste acende por falta de corrente elétrica. O gerador que apoiava o campo das tendas anterior, encontra-se paralizado.

Tendas: nenhuma família encontra-se alojada pelo que todas encontram-se vivendo nas tendas que lhes foram fornecidas em 2015. As mesmas encontram-se em estado degradável e poderão não aguentar as próximas chuvas.

Latrinas: o local não dispõe de nenhuma latrina, e as pessoas têm feito as suas necessidades nos capins.

Segurança: o local dispõe de um posto policial, mas com um número de agentes muito reduzido, e tendo em conta o nível de vida, o roubo aumentou, algo que tem preocupado muito a população naquele local.

Escola: A escola continua no seu normal funcionamento, mas só têm aulas até a sexta classe. Algumas pessoas deslocam-se até ao Biopio para poderem continuar com os seus estudos

Posto de saúde: o posto carece de medicamentos

Conflitos: Antes do projeto das casas, aquele local era habitado por uma comunidade, que segundo os sinistrados têm havido muitos conflitos entre as duas. Foi construído um comité do MPLA, os antigos dizem que aquele comité lhes pertence; conflitos verbais contra o administrador do bairro por este ser separatista (segundo a comunidade antiga). Há dois dias, um senhor do lado dos sinistrado escapou ser agredido, mas foi defendido por um dos professores, a população teme por coisas piores se o conflito continuar.



Para além das informações acima, no local não existe praça e nem existe qualquer outra actividade quer para as crianças, quer para os jovens.

A AJS e o CRB, já deram início à onda de solidariedade para recolha de donativos para as famílias.

11/10/2016

OMUNGA APOIA ACTO PÚBLICO CONTRA A DENEGAÇÃO DE JUSTIÇA PELO TSA NO CASO ISABEL DOS SANTOS NA SONANGOL




Lobito, 11.10.2016
DECLARAÇÃO

A associação OMUNGA vem pela presente expressar publicamente todo o seu apoio à iniciativa de alguns membros da sociedade civil, nomeadamente Sizaltina Graciana Lua Cutaia (Gestora), Afonso William Tonet (Jornalista), Fernando Jorge Tadeu da Rosa Macedo (Professor Universitário), Henrique Luaty da Silva Beirão (Músico) e Marcolino José Carlos Moco (Advogado) de promoverem a realização de uma manifestação (concentração) e reunião no Largo da Independência no dia 26 de Novembro do ano em curso com início às 15 horas e seu término às 20 horas.

A referida manifestação (concentração) e reunião tem como objectivo político protestar pacífica e publicamente contra a denegação de justiça pelo Tribunal Supremo de Angola em relação à Providência Cautelar intentada junto deste mesmo tribunal por causa da nomeação inconstitucional e ilegal de Isabel dos Santos para o cargo de PCA da Sonangol pelo Presidente da República de Angola e igualmente contra a omissão da Procuradoria-geral da República depois de ter recebido notícia, por via dos advogados da causa, da inconstitucionalidade e da ilegalidade desse acto administrativo praticado pelo Presidente da República de Angola.

José Patrocínio
Director Executivo