26/05/2017

MANKIKO EM BENGUELA PARA LANÇAMENTO DE OBRA E CONVERSA COM TOD@S NÓS


Sérgio Piçarra, cartunista e o criador de Mankiko o imbumbável, já se encontra em Benguela para o lançamento da sua última obra, Mambo Rijo.

A actividade terá lugar às 11 horas de 27 de Maio, no hotel Praia Morena, com sessão de autógrafos e venda de livros.

O autor permanecerá em Benguela por cerca de uma semana e irá facilitar uma formação de activistas e alunos de escolas primárias públicas sobre como utilizar o cartoon e a banda desenhada enquanto uma ferramenta de cidadania e de não violencia.

Já na quinta-feira, Sérgio Piçarra vai apresentar, no final do dia, uma exposição e conversar com os benguelenses no Café-boutique Chiquitos.


Mambo Rijo é uma produção das edições Chá de Caxinde e tem o apoio da OMUNGA.

20/05/2017

SOMOS NÓS QUE VAMOS TORNAR ESTE PROCESSO NUMA FESTA

SOMOS NÓS QUE VAMOS TORNAR ESTE PROCESSO NUMA FESTA
Lobito, 20.05.2017

Domingos Kim Zeca, do ISP Maravilha, em Benguela, ao referir-se ao actual processo eleitoral, espera “que todos nós assumamos este processo e este momento que o país está a viver, como sendo um processo nosso e um momento nosso".

"Somos nós que vamos tornar este processo numa festa e a ideia tem que ser essa, transformarmos este processo numa festa de tal forma que saiamos todos a ganhar, porque só nós é que vamos ganhar”, prosseguiu Kim Zeca, acrescentando que “é um processo que vai fazer com que nós atravessemos mais uma etapa e se nós sairmos com êxito desta etapa, então ganhamos todos, porque nos tornamos mais maduros, nos tornamos mais amigos uns dos outros e acabamos por passar a mensagem para as outras sociedades que nós também podemos fazer coisas boas”.

EXERÇAMOS UM VOTO CONSCIENTE E DE FORMA TRANQUILA, COM PAZ

EXERÇAMOS UM VOTO CONSCIENTE E DE FORMA TRANQUILA, COM PAZ
Lobito, 20.05.2017

Victorino Roque, docente universitário em Benguela, exorta a todos os angolanos “que nas eleições que se avizinham possam exercer o seu direito de voto”.

Para este docente universitário de Benguela, “é a partir do exercício do direito de voto que pode-se decidir o destino do país. A vida do país só terá um bom curso se nós enquanto cidadãos, conseguimos responder com aquilo que são as nossas exigências. Queremos ter um país melhor, de certeza, e para o efeito é necessário que exerçamos esse direito e que este direito seja exercido com bastante responsabilidade e que acima de tudo se olhe para aquilo que são os desafios que o país em si encerra”.

O docente universitário exorta ainda para que “exerçamos um voto consciente e de forma tranquila, com paz, sem investir em processos que possam macular a nossa paz. Vamos votar, votemos sim com responsabilidade, com seriedade e acima de tudo continuando a tal paz e tranquilidade que se espera no nosso país.”

QUE AS ELEIÇÕES EM ANGOLA SEJAM CADA VEZ MAIS TIDAS COMO EXEMPLO DE ESTABILIDADE


QUE AS ELEIÇÕES EM ANGOLA SEJAM CADA VEZ MAIS TIDAS COMO EXEMPLO DE ESTABILIDADE
Lobito, 20.05.2017

“Consciencialização da juventude de forma particular e da nossa população de forma geral sobretudo a este momento que antecede as eleições”, é o que Cristiano Fernandes, funcionário da direcção provincial da Juventude e Desportos de Benguela, considera importante.

Para este cidadão, “a fase antes, durante e depois das eleições, são fases que nós, enquanto cidadãos, temos que fazer valer a nossa postura cívica, o respeito entre uns e outros, respeitando as escolhas, claro está, e fazer com que as eleições em Angola sejam cada vez mais tidas como exemplo de estabilidade, exemplo de concórdia, unidade entre os angolanos”.

Por último, considerou que “nós vamos entrar para a festa da democracia mais uma vez, agora em Agosto, dia 23, e queremos nós que o processo corra da melhor forma possível e para isso tem de depender muito do espírito de paz que cada um de nós tem que cultivar, entre irmãos, entre amigos, entre vizinhos, entre colegas e chegarmos no dia das eleições, cada um de nós preparado para fazer o voto acertado naquele candidato do partido que ele acha convincente para a governação de Angola nos próximos anos.”

SEM PAZ NÃO PODEMOS VIVER


SEM PAZ NÃO PODEMOS VIVER
Lobito, 20.05.2017

A OMUNGA ouviu a directora do ISP Maravilha, em Benguela, Alba Maria, sobre o processo eleitoral. A académica considera que “neste momento em que se estão criando as condições para se fazer as eleições para a nova presidência, devemos pensar em toda a trajectória do povo angolano, como é que tem sido, quanto tem custado ter a paz e pensar em preservá-la que é muito importante. Sem paz ninguém pode viver!”

Adiantou ainda que devemos “pensar o que é verdadeiramente melhor para o país, para todos nós, rever, sobretudo as prioridades e que possamos apoiar aquele candidato que verdadeiramente, que nos discursos que estão pronunciando, aponta para resolver as problemáticas que há muito tempo estão pendentes. Mas tudo isto sobre a base da conversa, da negociação, do diálogo.”

A directora do Maravilha, apelou à tolerância e respeito pela diferença, mas também chamou à atenção para as “pessoas oportunistas, as pessoas que estão vendo só para o lado de como podem ter algum ganho, façamos as coisas com responsabilidade.”

07/05/2017

“TEMOS MUITOS IRMÃOS NO CENTRO DA CIDADE A SOFREREM”

Gaby (à esquerda) dialogando com uma delegação de visitantes ao 16 de Junho

“TEMOS MUITOS IRMÃOS NO CENTRO DA CIDADE A SOFREREM”
Lobito, 07.05.17

Jorge de Lemos, conhecido por “Gaby”, é hoje o vice-coordenador da comissão de moradores do 16 de Junho. E conta como surgiu esta comunidade.

Segundo o Gaby, “o ‘centro 16 de Junho’ surge por causa dessa história toda. Primeiro era o OKUTIUKA, ou primeiro vivíamos em paradas, depois de vivermos em paradas fomos pró OKUTIUKA, depois do OKUTIUKA, deixámos o OKUTIUKA voltámos de novo em paradas, depois da parada nasceu a ‘Pousada da Criança’, só depois da ‘Pousada da Criança’ surge o ‘centro 16 de Junho’.

Para o Gaby, existe uma lógica para o surgimento do ‘centro 16 de Junho’. Questiona “o ‘centro 16 de Junho’ surge porquê?” e continua “o ‘centro 16 de Junho’ surge porque nós vivíamos no centro da cidade e o banco BNA estava numa fase de ser reabilitado. O governo municipal do Lobito decidiu que nós não que nós não poderíamos permanecer no centro da cidade, visto que aquele banco ia sofrer reestruturação, automaticamente fomos transferidos para aqui”.

O Gaby conta que (no 16 de Junho), eles próprios “tinham posto tendas” e depois é que subiram.

Permaneceram nas tendas durante muito tempo, 4 ou 5 anos. Disse que ainda quando estavam no centro da cidade, “o governo municipal já alegava muita coisa. Que lá já tem um contentor de chapa, que lá já tem um contentor de cimento, os terrenos estão marcados, é só vocês subirem, cada um vai receber o seu equipamento para executar a sua casa. Só que chegados aqui no terreno, era diferente. Nós encontrámos tendas”.

Para ele, a concretização das concretizações deveu-se essencialmente graças à luta que envolveu a sociedade civil e isto chamou à atenção “de outras forças políticas”. É de lembrar que se estava em época de eleições. Aproveitando essa altura, conforme nos conta, “fizemos um documento a marcar uma audiência com o ex governador da província de Benguela, Armando da Cruz Neto, Ele aceitou o documento, pedimos que ele viesse visitar a nossa comunidade, ele veio, visitou a nossa comunidade, mostrámos as nossas preocupações”. Só assim é que “o sonho começou a se realizar, depois do governador estar aqui presente, ele fez promessa de que iria construir as casas e o que ele disse realmente mostrou em prática, trouxe o projecto aqui, para nós e construíram as casas”.

Para o Gaby, é uma luta que durante anos mas não chegou ainda ao fim já que “temos muitos irmãos no centro da cidade a sofrerem. Não me sinto feliz hoje por ter a minha casa, porque vejo ainda muitos dos meus irmãos a sofrerem”.

Jorge Lemos aproveitou ainda para deixar uma recomendação à administração municipal do Lobito e ao governo provincial de Benguela para que “revejam aqueles planos, aqueles assuntos que já tivemos e que muitos deles não foram concluídos, principalmente o que toca às construções. Na altura se falou de 150 casas, hoje nós temos 88 casas.”
Acredita que se o governo construir as 62 residências prometidas e em falta, podem “beneficiar outros irmãos nossos que estão a sofrer”.

Acompanhe a entrevista completa:


"A VIDA ERA MUITO DIFÍCIL"

Crianças no 16 de Junho
“A VIDA ERA MUITO DIFÍCIL”
Lobito, 07.05.17

O ‘centro 16 de Junho’ é hoje uma comunidade localizada no Bº 27 de Março, na zona alta da cidade do Lobito. É constituída essencialmente por antigas crianças de rua.

Por este motivo, pelo seu historial e conquistas, merece uma atenção especial já que também, foi o primeiro, e é o único em Angola, bairro social construído com recursos públicos direccionado especificamente para comunidades carentes sem tecto.

Alberto José Correia, conhecido por Beto, actual líder da comissão de moradores, falou-nos do tempo que, enquanto criança, deambulava e vivia, pelas ruas do Lobito, “a vida era muito difícil”.

“Eu e outros irmãos não tínhamos um paradeiro para dormir, um paradeiro fixo para dormirmos. Nós dormíamos em paradas, dormíamos em focos, e essas paradas eram maioritariamente as ruas, como por exemplo as cadeiras do mercado municipal, as escadas dos prédios, algumas padarias que nós às vezes conversávamos com os guardas e eles nos possibilitavam pernoitar lá nas próprias padarias”.

Beto lembra-se da “correria tremenda”, porque não havia sossego, já que para dormir tinham que estar sempre atentos “com a polícia, por um lado” e por outro com as chuvas.

O Mercado Municipal era o local do encontro. “Era lá onde nós fazíamos a nossa vida, era lá onde fazíamos a lavagem dos carros, era lá.... quer dizer, era o nosso ponto de partida para outros sítios”.

Os contactos com a OMUNGA, na altura ainda um projecto do OKUTIUKA, eram feitos “ainda mesmo nas paradas. Nós ainda estávamos mesmo nas paradas e foi a partir dali que a OMUNGA, essas pessoas vinham e ficavam, conversavam connosco ali e nos aconselhavam, procuravam viver os nossos problemas e também conseguiam, algumas vezes, fornecer algum vestuário e às vezes papas também”, lembra o Beto.

Beto explica como foi o processo até chegar ao 16 de Junho, onde primeiro foram colocados “num espaço na Restinga, numa sala bem grande e que era da actual Casa Inglesa”. Era o espaço que a “OKUTIUKA tinha encontrado e onde passávamos todos, a noite ali, já com, digamos, segurança” lembra o actual líder do 16 de Junho, “digamos com segurança, porque nós naquela altura já tínhamos um abrigo, quando antes disso não tínhamos, dormíamos na rua”.

Já em relação à fase da luta da ‘Pousada da Criança’, Beto não consegue explicar bem porque, segundo ele, “a OMUNGA forma um grupo de 6 elementos, onde eu estava presente, que fazem parte do grupo de jornalistas que produziam o jornal ‘Os Nossos Mambos’, no Lobito, então nessa altura eu já tinha, digamos que eu já tinha dado um salto na vida, já não vivia directamente, ou a 100% na rua, já tinha alugado uma moradia e já vivia a minha vida”. No entanto, afirma que, em relação a essa fase o que sabe é que “a grande luta era que todos os moradores de rua tivessem moradia segura”.

Refere-se no entanto, que a referida ‘Pousada da Criança’, localizada no centro da cidade ao lado do Banco Nacional de Angola, “era um sítio que também não era seguro, o pessoal vivia em cabanas, cubatas e por aí fora e mesmo quando chovia também não garantia segurança tanto mais que houve vários incêndios na própria ‘Pousada da Criança’. Então ali começou a luta da OMUNGA em negociar com o Estado, ou exigir ao Estado em construir-se assim as moradias condignas, que são estas onde hoje muitos estamos.”

Acompanhe a entrevista completa.